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quarta-feira, 23 de março de 2016

Via-Sacra: 11ª Estação: “Jesus é pregado na Cruz” (S. Mateus 27,37-42).


“Este é Jesus, o Rei dos Judeus”.

Jesus crucificado está no centro; a inscrição real, lá no alto da Cruz, desvenda as profundidades do mistério: Jesus é o Rei, e a Cruz o seu trono. A realeza de Jesus, escrita em três línguas, é uma mensagem universal: para o simples e o sábio, para o pobre e o poderoso, para quem se abandona à Lei divina e para quem confia no poder político. A imagem do Crucificado, que nenhuma sentença humana poderá jamais remover das paredes do nosso coração, permanecerá para sempre a Palavra real da Verdade: «Luz crucificada que ilumina os cegos», «tesouro oculto que só a oração pode descerrar», coração do mundo. Jesus não reina dominando com um poder deste mundo, Ele «não dispõe de nenhuma legião». «Jesus reina, atraindo»: o seu íman é o amor do Pai que n’Ele se entrega por nós «até ao fim sem confins». «Nada escapa ao seu calor»!

Olhar para cruz sem experimentar o sentido profundo do Amor de Deus é loucura. Limite do amor é amar sem medida, Ele tomou sobre si as nossas dores e graças a suas chagas fomos sarados. A medida do amor de Deus em Jesus é a vida, foi por você! Não importa se hoje você esta vivendo em situação de morte, pois o amor é mais forte do que a morte. Olhe pra cruz, foi por ti porque te amo. Olhe pra cruz essa é a minha grande prova, ninguém te ama como Eu!

“Salva-Te a Ti mesmo, se és Filho de Deus, e desce da cruz!”

Jesus é pregado na cruz. O sudário de Turim permite formar uma idéia da crueldade incrível deste processo. Jesus não toma a bebida anestesiante que Lhe fora oferecida: conscientemente assume todo o sofrimento da crucifixão. Todo o seu corpo é martirizado; cumpriram-se as palavras do Salmo: «Eu, porém, sou um verme e não um homem, o opróbrio dos homens e a abjeção da plebe» (Sal 22/21, 7). «Como um homem (…) diante do qual se tapa o rosto, menosprezado e desestimado. Na verdade Ele tomou sobre Si as nossas doenças, carregou as nossas dores» (Is 53, 3-4). Detenhamo-nos diante desta imagem de sofrimento, diante do Filho de Deus sofredor. Olhemos para Ele nos momentos de presunção e de prazer, para aprendermos a respeitar os limites e a ver a superficialidade de todos os bens puramente materiais. Olhemos para Ele nos momentos de calamidade e de angústia, para reconhecermos que precisamente assim estamos perto de Deus. Procuremos reconhecer o seu rosto naqueles que tendemos a desprezar. Diante do Senhor condenado, que não quer usar o seu poder para descer da cruz, mas antes suportou o sofrimento da cruz até ao fim, pode assomar ainda outro pensamento. Inácio de Antioquia, ele mesmo preso com cadeias pela sua fé no Senhor, elogiou os cristãos de Esmirna pela sua fé inabalável: afirma que estavam, por assim dizer, pregados com a carne e o sangue à cruz do Senhor Jesus Cristo (1 1). Deixemo-nos pregar a Ele, sem ceder a qualquer tentação de nos separarmos nem ceder às zombarias que pretendem levar-nos a fazê-lo.

Senhor Jesus Cristo, fizestes-Vos pregar na cruz, aceitando a crueldade terrível deste tormento, a destruição do vosso corpo e da vossa dignidade. Fizestes-Vos pregar, sofrestes sem evasões nem descontos. Ajudai-nos a não fugir perante o que somos chamados a realizar. Ajudai-nos a fazermo-nos ligar estreitamente a Vós. Ajudai-nos a desmascarar a falsa liberdade que nos quer afastar de Vós. Ajudai-nos a aceitar a vossa liberdade «ligada» e a encontrar nesta estreita ligação convosco a verdadeira liberdade.

Agora crucificam o Senhor e, junto d'Ele, dois ladrões, um à direita e outro à esquerda. Entretanto, Jesus diz:

- Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem (Lc XXIII, 34).

Foi o Amor que levou Jesus ao Calvário. E, já na Cruz, todos os Seus gestos e todas as Suas palavras são de amor, de amor sereno e forte.

Com gesto de Sacerdote Eterno, sem pai nem mãe, sem genealogia (cfr. Heb VII, 3), abre os Seus braços à humanidade inteira.

Juntamente com as marteladas que pregam Jesus, ressoam as palavras proféticas da Escritura Santa: trespassaram as Minhas mãos e os Meus pés, contaram todos os Meus ossos. E eles mesmos olham para Mim e contemplam (SI XXI, 17-18).

- Ó Meu Povo! Que te fiz Eu ou em que te contristei? Responde-Me (Miq VI, 3) !

E nós, despedaçada a alma pela dor, dizemos sinceramente a Jesus: sou Teu e entrego-me a Ti e cravo-me na Cruz gostosamente, sendo, nas encruzilhadas do mundo, uma alma entregue a Ti, à Tua glória, à Redenção, à co-redenção da humanidade inteira. 

Já pregaram Jesus ao madeiro.

Os verdugos executaram desapiedadamente a sentença. O Senhor tudo deixou, com mansidão infinita.

Não era necessário tanto tormento. Ele podia ter evitado aquelas amarguras, aquelas humilhações, aqueles maus tratos, aquele juízo iníquo e a vergonha do patíbulo, e os cravos, e a lança... Mas quis sofrer tudo isso por ti e por mim. E nós, não vamos saber corresponder?

É muito possível que, nalguma altura, a sós com um crucifixo, te venham as lágrimas aos olhos. Não te domines... Mas procura que esse pranto acabe num propósito.

Amo tanto Cristo na Cruz, que cada crucifixo é uma recriminação carinhosa do meu Deus

Eu sofrendo e tu... cobarde. Eu amando-te e tu... esquecendo-Me. Eu pedindo-te e tu... negando-Me.

Eu, aqui, com gesto de Sacerdote Eterno, padecendo tudo o que posso por teu amor... e tu queixas-te ante a menor incompreensão, ante a mínima humilhação...

Que belas são essas cruzes no cimo dos montes, no alto dos grandes monumentos, no pináculo das catedrais!...

Mas também é preciso inserir a Cruz nas entranhas do mundo.

Jesus quer ser levantado ao alto, aí: no ruído das fábricas e das oficinas, no silêncio das bibliotecas, no fragor das ruas, na quietude dos campos, na intimidade das famílias, nas assembleias, nos estádios... Onde quer que um cristão gaste a sua vida honradamente, aí deve colocar, com o seu amor, a Cruz de Cristo, que atrai a Si toda as coisas.

Depois de tantos anos, aquele sacerdote fez uma descoberta maravilhosa

Compreendeu que a Santa Missa é verdadeiro trabalho: operatio Dei, trabalho de Deus. E, nesse dia, ao celebrá-la, experimentou dor, alegria e cansaço. Sentiu na sua carne o esgotamento de um trabalho divino.

A Cristo também custou esforço a primeira Missa: a Cruz.

Antes de começar a trabalhar, põe sobre a tua mesa, ou junto dos utensílios do teu trabalho, um crucifixo.

De vez em quando, lança-Lhe um olhar...

Quando a fadiga chegar, fugir-te-ão os olhos para Jesus, e encontrarás nova força para prosseguir no teu empenho.

Porque esse crucifixo é mais do que o retrato de uma pessoa querida - os pais, os filhos, a mulher, a noiva... -; Ele é tudo: o teu Pai, teu Irmão, teu Amigo, teu Deus e o Amor dos teus amores.


Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão quando Vos cravaram na Cruz e pelos merecimentos de Vossa Mãe Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do Purgatório.