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domingo, 20 de março de 2016

Estados Unidos reconhece genocídio do Estado Islâmico contra cristãos

 
O Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, reconheceu como “genocídio” os crimes do Estado Islâmico contra os cristãos e outras minorias religiosas no Oriente Médio e demais regiões que estão sob seu poder.

Em uma declaração realizada ontem, Kerry assinalou: “Em meu julgamento, Daesh (Estado Islâmico) é responsável por genocídio contra grupos em áreas sob seu controle, incluindo yazidis, cristãos e muçulmanos xiitas”.

“Daesh é genocida por autoproclamação, por ideologia e por atos, no que diz, no que acredita e faz. Daesh também é responsável por crimes contra a humanidade e limpeza étnica dirigida a estes mesmos grupos e, em alguns casos, também contra muçulmanos sunitas, curdos e outras minorias”, assinalou.

A declaração foi dada no último dia do prazo considerado pelo próprio Departamento de Estado dos Estados Unidos – liderado por Kerry – para publicar uma consideração deste tipo.

No dia 14 de março, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos votou de forma unânime a favor de declarar como “genocídio” os ataques terroristas do Estado Islâmico.

Os Cavaleiros de Colombo, a maior organização fraterna católica do mundo, e o grupo ‘Em Defesa dos Cristãos’ apresentaram em 22 de fevereiro um abaixo assinado dirigido ao Departamento de Estado, a fim de que a violência do ISIS (como também é conhecido o Estado Islâmico) seja qualificada como genocídio.

O documento, que recolheu mais de 64 mil assinaturas em menos de um mês, foi assinado, entre outros, pelo Cardeal Timothy Dolan, Arcebispo de Nova Iorque e chefe da Associação de Católicos próximos ao Oriente; pelo Arcebispo Joseph Kurtz, presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unido; Mark Burnett, presidente da famosa produtora Metro Golden Mayer (MGM), e pela atriz irlandesa Roma Downey, que trabalhou na série de televisão Touched by an Angel.

Ambas as organizações remeteram também ao Departamento de Estado um relatório de 300 páginas, no qual detalham as atrocidades cometidas contra os cristãos no Iraque e na Síria.

Em seu discurso de ontem, Kerry reconheceu: “Sabemos que em Mossul, Qaraqosh e em outras partes, o Daesh matou os cristãos somente por razão de sua fé; assassinou 49 cristãos coptos e etíopes na Líbia; e também obrigou as mulheres e crianças cristãs a converter-se em escravas sexuais”.

O Secretário de Estado explicou que o Estado Islâmico, animado “por uma ideologia extremista e intolerante” considera os yazidis – uma minoria pré-islâmica – “pagãos” e “adoradores do demônio” e “ameaçou os cristãos dizendo: ‘conquistaremos sua Roma, quebraremos suas cruzes e escravizaremos as suas mulheres’”.

No início do mês de fevereiro deste ano, o Parlamento Europeu qualificou de genocídio os crimes do Estado Islâmico contra cristãos e outras minorias religiosas no Iraque e na Síria.

“Os muçulmanos xiitas, enquanto isso, são designados pelo Daesh como ‘infiéis e apóstatas’ e são vítimas de ataques frequentes e violentos”, disse Kerry.

“O objetivo fundamental do genocídio é pretender destruir totalmente ou parte de um grupo étnico ou religioso. Sabemos que Daesh obriga que suas vítimas escolham entre abandonar sua fé ou ser assassinados e isso é para muitos uma eleição entre um tipo de morte ou outra”, acrescentou.

Kerry destacou que a visão do mundo do Estado Islâmico “está apoiada em eliminar aqueles que não se aderem a sua perversa ideologia”.

“Espero que minha declaração assegure às vítimas das atrocidades do Daesh que os Estados Unidos reconhecem e confirmam a desprezível natureza dos crimes que cometeram contra eles”, indicou.

O Secretário de Estado dos Estados Unidos reconheceu que embora “nomear estes crimes seja importante”, o essencial “é detê-los”.

“Para isto será necessária a unidade neste país e com os países diretamente envolvidos e a determinação para atuar contra o genocídio, contra a limpeza étnica, contra os outros crimes contra a humanidade deve ser forte entre as pessoas decentes no mundo inteiro”, concluiu.

Agradecimentos

Os Cavaleiros de Colombo, maior organização leiga do mundo, manifestaram seu agradecimento ao governo dos Estados Unidos por ter reconhecido o genocídio de cristãos cometido pelo grupo terrorista Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês), no Oriente Médio.

O Secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, assinalou na quinta-feira, 17, que o Estado Islâmico (Daesh, em árabe) “é responsável por genocídio contra grupos em áreas sob seu controle, incluindo yazidis, cristãos e muçulmanos xiitas”.

“Daesh também é responsável por crimes contra a humanidade e limpeza étnica dirigida a estes mesmos grupos e, em alguns casos, também contra muçulmanos sunitas, curdos e outras minorias”, disse Kerry.

Em um comunicado difundido após a mensagem de Kerry, o diretor geral dos Cavaleiros de Colombo, Carl Anderson, qualificou o anúncio do Secretário de Estado como “correto e verdadeiramente histórico”.

“Muito poucas vezes na nossa história, Estados Unidos designou uma situação como genocídio, e o Departamento de Estado deve ser elogiado por haver tido a valentia de dizê-lo”, assinalou Anderson.

Esta declaração, precisou, é somada às vozes da Câmara de Representantes do Congresso dos Estados Unidos, do povo americano e da comunidade internacional para exigir que a violência do Estado Islâmico contra as minorias religiosas “deve acabar”.

Anderson destacou que “os Estados Unidos e o mundo estão unidos nisto e simplesmente não olharão para outro lado”.

“Os Cavaleiros de Colombo têm o prazer de haver trabalhado com o Departamento de Estado, ao proporcionar-lhe um relatório com aproximadamente 300 páginas de provas convincentes de que estava ocorrendo um genocídio contra cristãos, assim como outras minorias religiosas”, assinalou.

Em seguida, o diretor executivo dos Cavaleiros de Colombo sublinhou que depois da declaração do governo americano, o país “deve continuar focado naqueles que estão sendo assassinados neste genocídio”.

Os Estados Unidos junto à comunidade internacional “devem assegurar-se de que esta matança termine e que estas pessoas inocentes estejam protegidas”, demandou.

“Ainda há muito trabalho a fazer, mas isto representa um passo importante”, destacou.

Por sua parte, o diretor executivo de Alliance Defending Freedom (ADF) International, Douglas Napier, indicou que Kerry, ao usar a palavra genocídio, “reconheceu um nome apropriado para as ações do ISIS contra os cristãos e outras minorias religiosas”.

“Este reconhecimento é um primeiro passo no processo necessário para que os Estados Unidos, as Nações Unidas e a comunidade internacional detenham a matança no Oriente Médio”, disse.

A ADF International esteve muito comprometida a fim de fornecer evidência e análise legal, tanto ao Departamento de Estado e ao Congresso dos Estados Unidos, como ao Parlamento Europeu, as Nações Unidas e outros organismos internacionais.

O papel das Nações Unidas

Napier destacou que os Estados Unidos têm “um papel determinante” no Conselho de Segurança das Nações Unidas, para “apoiar um recurso à Corte Criminal Internacional a fim de condenar e perseguir os acusados de cometer” os crimes no Oriente Médio.

“A partir do momento que foi reconhecido o genocídio, os 147 países que fazem parte da Convenção de Genocídio das Nações Unidas, inclusive os Estados Unidos, têm a obrigação de fazer tudo o que puderem para acabar com a matança de pessoas inocentes”, explicou.

De acordo com as cifras da ADF, o número de cristãos na Síria foi reduzido de 2 milhões a menos de um milhão, desde que o Estado Islâmico desatou a onda de violência. No Iraque, os cristãos diminuíram de 1,4 milhões a 260 mil.

As atrocidades cometidas pelo ISIS, explica o organismo internacional, são “assassinato de líderes religiosos, tortura, matanças, sequestros, escravidão sexual e violação sistemática de crianças, mulheres cristãs e yazidis; e a destruição de igrejas, monastérios e cemitérios”.
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ACI Digital