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terça-feira, 15 de março de 2016

Como a agência EFE reduziu 750 mil pessoas a 10 mil em Marcha pela Vida, no Peru.

 
A Marcha pela Vida 2016 fez história no último sábado, 12, no Peru, tornando-se o evento mais multitudinário em defesa da vida e rechaço ao aborto no país. Entretanto, sem precisar fonte alguma, a agência de imprensa espanhola EFE converteu a cifra oficial de 750 mil participantes a apenas 10 mil.

Às 19h (hora local) do dia 12 de março, o Arcebispo de Lima e Primaz do Peru, Cardeal Juan Luis Cipriani, anunciou a cifra oficial de participantes da Marcha pela Vida: 750 mil pessoas fizeram todo o percurso para defender “nosso primeiro direito”.

Nessa ocasião, uma matéria da agência espanhola EFE estava há cerca de duas horas em circulação, informando que apenas 10 mil pessoas participaram do evento.

Em declarações ao Grupo ACI, Carol Maraví, porta-voz da Marcha pela Vida 2016, explicou: “Nós temos internamente a quantidade de pessoas pelas medidas do percurso, pontos de concentração e as imagens do helicóptero”.

Ninguém na organização da Marcha pela Vida divulgou cifra alguma antes que o Cardeal confirmasse que 750 mil peruanos participaram do evento. O anúncio foi feito depois que a equipe de coordenação “mediu o percurso e verificou”, sublinhou Maraví.

“Nem mesmo quando o Cardeal Cipriani apareceu no palco sabia a cifra exata”, destacou a porta-voz da marcha.

À noite ainda havia pessoas descendo da avenida Brasil para a praia, na área conhecida como Costa Verde, para participar do concerto de encerramento do evento.

A porta-voz da Marcha pela Vida criticou que existam meios como EFE que “manipulam e tratam de criar com más intenções uma cifra inventada por eles”. “Quem lhes deu essa cifra? Ninguém!”, precisou.

O Grupo ACI contatou David Blanco, editor chefe da agência EFE no Peru, que foi responsável pela notícia sobre a Marcha pela Vida. Em que se baseou para definir que somente havia 10 mil pessoas participando do evento?

“Foi uma cifra de aproximadamente, foi o cálculo feito pelas pessoas da agência EFE que estiveram no evento. Nos baseamos em nossas análises. Ou seja, a equipe (da agência de notícias) que esteve presente, quando consultada quantas pessoas calculavam que havia nesta marcha, chegamos a esta cifra”, explicou.

“O cinegrafista que filmou o evento” foi quem fez o cálculo estimado, sem consultar nenhum porta-voz do evento, nem as autoridades policiais, reconheceu o editor chefe da agencia EFE, que assistiu a marcha pela televisão.

Consultado acerca do por que não ampliaram a informação horas depois de sua primeira reportagem, quando os organizadores do evento anunciaram a verdadeira cifra, Blanco disse que “há tal quantidade de informação no país neste momento que nós não estamos apenas atentos a este evento. A notícia foi divulgada e daí já passamos a outro tema, estamos com temas eleitorais tão amplos, tantas coisas, que já não comentamos novamente a respeito”.

Para Blanco, se os organizadores quiserem que informamos sobre os 750 mil participantes, devem enviar um comunicado de imprensa. “Se esse comunicado for enviado, já o tomaremos em conta”, disse.

“Caso a organização envie um comunicado dizendo que foi tal quantidade de pessoas e por tal motivo, nós contemplaremos a possibilidade de fazer um comunicado no qual poderíamos citar esta cifra. Essa seria uma seguinte nota. A anterior já foi divulgada, você sabe como funciona isto, como você mesmo me disse, já foi publicada em outros meios e isso já não pode ser retirado”, expressou.

Nesse sentido, o Grupo ACI constatou que a agência EFE, contra o indicado por Blanco, costuma publicar atualizações e correções de suas notas. Por exemplo, no dia seguinte da Marcha pela Vida no Peru, EFE publicou uma correção menor de dados em uma nota sobre um montanhista ferido na Serra Nevada.

Consultados pelo Grupo ACI, os representantes da Marcha pela Vida precisaram que o comunicado no qual informaram acerca do evento e a cifra de 750 mil participantes foi enviado às agências internacionais, entre elas está a agência EFE.

Segundo Carol Maraví, o trabalho dos meios de comunicação como EFE “é informar e para informar deve estar no lugar dos fatos”.

Independentemente que os jornalistas simpatizem ou não com o evento, “a população tem o direito de saber a verdade”, pontuou.

Além disso, Maraví destacou que a multitudinária Marcha pela Vida conseguiu converter a cada ano a defesa do direito a viver “em uma festa”, na qual “famílias inteiras participam e livremente saem nas ruas a fim de dizer sim à vida e não ao aborto”.

“A Marcha pela Vida se converteu em uma referência mundial”, disse e assegurou que esta “é a manifestação pró-vida mais multitudinária da Hispanoamérica”.
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ACI Digital