Adsense Teste

sexta-feira, 4 de março de 2016

Arcebispo de Barcelona e confissões religiosas rechaçam o “Pai Nosso blasfemo” recitado na Espanha


O Arcebispo de Barcelona, Dom Juan José Omella, publicou recentemente uma carta no jornal ‘La Vanguardia’ – o mais vendido na Catalunha –, na qual rechaçou o Pai Nosso blasfemo que a poetisa Dolors Miquel leu ao receber o prêmio da Cidade Condal.

“Eu gostaria de romper o silêncio que mantive durante estes dias, para não alimentar uma controvérsia política que, indiretamente, tornasse maior a ferida que produziu em milhares de cidadãos de Barcelona o fato de que se programasse em um ato público, organizado pelo consistório, a leitura de um poema que parafraseia a prece central dos católicos”, assegurou o Arcebispo de Barcelona.

Dom Omella afirmou que “o Pai Nosso é a prece dos simples, daqueles que entregam o seu coração e confiam no Pai no Céu. É a prece dos limpos de coração, dos que procuram a justiça, dos que aceitam as próprias limitações e depositam suas esperanças com uma dependência amorosa no Deus que nos ama”.

Recordou que, “ante os fatos ocorridos nestes dias, já manifestei que ‘às vezes a melhor resposta é calar’, o mesmo silêncio que Jesus manifestou diante do Sinédrio. Responder a provocação com o silêncio é uma forma de tomar distância diante do despropósito”.

“Tomada esta distância, devemos recordar que o respeito pela liberdade de expressão e criação é um valor incontrovertível em nossa sociedade, reconhecido no artigo 20 da Constituição”, assegurou o Arcebispo.

“Mas, ética e moralmente pode ser questionável o fato de que uma obra artística que é ofensiva para um grupo de pessoas seja incluída no programa de um ato oficial organizado por um Consistório que representa o mundo inteiro”, precisou.

Nesse sentido, recordou que a defesa da liberdade de expressão “tem que ser compatível com o respeito pela fé religiosa das pessoas” e destacou que “agora mais do que nunca, a liberdade religiosa é um aspecto fundamental que pulsa o grau de civilização de nossas sociedades plurais. A Igreja não é nem quer ser um agente político, mas tem um profundo interesse pelo bem da comunidade política, cuja alma é a justiça”.

“A Igreja continua oferecendo à sociedade, com generosidade e perseverança, o compromisso pelo bem comum que, quando está inspirado no testemunho da caridade, tem um valor superior ao compromisso meramente secular e político”, insistiu e pediu que os políticos “preservem a liberdade religiosa como algo que pertence a todos e que corresponde a todos preservá-la”. 

Confissões religiosas rechaçam o “Pai Nosso blasfemo” recitado na Espanha

Depois dos recentes acontecimentos ocorridos na Espanha, onde recitaram uma versão blasfema da Oração do Pai Nosso, as principais confissões religiosas presentes no país enviaram um comunicado conjunto no qual pedem o respeito aos sentimentos religiosos.

Segundo explicam na carta, “a entrega de prêmios Cidade de Barcelona deste ano, com uma pretendida finalidade poética, ofereceu aos participantes uma recitação que, além da provocação e do mau gosto, incorre em ofensas gratuitas aos sentimentos religiosos de diversas comunidades de crentes do nosso país”.

“Este é mais um triste episódio, somado a outros também ofensivos para os crentes e que requerem nossa denúncia pública”, precisam.

Por isso, asseguram que se deve ter bem claro “que os sentimentos religiosos em nosso país gozam de proteção, ao mesmo tempo é garantida a liberdade de expressão com o limite constitucional do respeito aos outros direitos e liberdades, como a liberdade religiosa”.

Além disso, destacam como diversas comunidades religiosas na Espanha trabalham “pela convivência harmoniosa e produtiva entre cidadãos de todas as crenças, exercendo plenamente seu direito à liberdade de expressão sem ferir os sentimentos dos outros”.

Nesse sentido, sublinham que os representantes religiosos devem transmitir “uma mensagem de respeito a todos os crentes de toda confissão e de rechaço às ofensas públicas contra os sentimentos religiosos de nossos vizinhos, para uma convivência respeitosa e fraterna entre todos”.

A carta foi assinada pelo presidente da Comissão islâmica da Espanha, Riay Tatary, o Secretário Geral da Conferência Episcopal Espanhola, Pe. José María Gil Tamayo, o secretário executivo da federação de instituições religiosas evangélicas da Espanha, Mariano Blázquez, assim como o presidente da Federação de Comunidades Judias da Espanha, Isaac Querub.
___________________________________________

ACI Digital