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quinta-feira, 10 de março de 2016

A ordem Rosacruz é compatível com a fé cristã?


A ordem Rosacruz é um grupo que pode ser chamado de “esotérico”, um termo utilizado tanto em sentido restrito quanto em sentido geral. Em sentido estrito, ele se aplica a algumas filosofias e escolas gregas. Já em sentido geral, que é o aplicado ao âmbito das seitas e novos movimentos religiosos, o termo “esotérico” significa “secreto”, “oculto”, “só para iniciados”. Nesse tipo de grupo, há uma distinção entre um “saber vulgar”, que é popular, superficial e pouco adentrado na verdadeira natureza do real, e um “saber autêntico”, que é único, reservado aos eleitos, aos sábios.

É este último aspecto que entra em choque com o cristianismo. Jesus não fez nada em segredo e, ao contrário do pensamento dos esotéricos, privilegiou os mais pobres, ignorantes e fracos da sociedade.

A autodefinição da Rosacruz

Segundo um dos seus ramos, a ordem Rosacruz “é uma organização fraternal, não sectária, de homens e mulheres, dedicada à pesquisa, estudo e aplicação prática das leis naturais e espirituais. O propósito da organização é permitir que todos vivam em harmonia com as forças cósmicas criadoras e construtivas, para atingir a saúde, a felicidade e a paz” (cf. revista El Rosacruz, 5, X – 1957).

Essa autodefinição abrange o que a maioria de grupos atuais se propõem a oferecer às pessoas.

O problema das origens da ordem Rosacruz

Existem várias organizações que se proclamam como “os autênticos rosa-cruzes”. Por exemplo, a Antiga e Mística Ordem da Rosa Cruz (AMORC), a Sociedade dos Rosa-Cruzes e a Christian Rosenkreuz.

A AMORC é a mais conhecida na América Latina e se considera continuadora de uma sociedade que teria tido origens numa escola iniciática do antigo Egito, durante a XVIII Dinastia. Trata-se da dinastia que governou o Egito entre os anos de 1550 a.C. a 1295 a.C., época considerada de máximo esplendor da civilização faraônica. Segundo este grupo, o filósofo Francis Bacon seria o autor das primeiras publicações rosa-cruzes surgidas após a invenção da imprensa. Para F. Sampedro e J. Elizaga (cf. F. Sampedro, Sectas y otras doctrinas en la actualidad, Bogotá, 1993, 148; J. Elizaga, Las sectas y las nuevas religiones a la conquista del Uruguay, Montevidéu, 1988, 168), a AMORC teria sido fundada por Spencer Lewis (1915), com sede central em San Jose, na Califórnia (cf. revista oficial da AMORC, El Rosacruz). Segundo estes autores, Lewis recebeu os segredos dos “Irmãos Maiores da Rosacruz de Paris”.

Entre suas diversas denominações e raízes, os rosa-cruzes têm templos em cerca de 150 países.

A rosa e a cruz

Desde tempos muito antigos, mesmo antes da morte de Cristo, a cruz era usada como símbolo solar. O homem primitivo, em seus primeiros cultos ao sol, o contemplava de braços abertos. A cruz também representou os quatro pontos cardeais. É ainda das forças masculinas da natureza, equivalendo ao “yang” da filosofia chinesa (cf. P. Damian, Francmasones y Rosacruces, Madri, 1981, 15-35; F. Sampedro – J. Escobar, Las sectas… núm. 4, 478).

A rosa simboliza o ideal de beleza e delicadeza; a mulher, o princípio de fecundidade, a mãe natureza. A rosa que começa a se abrir é a personalidade que começa a brotar para iluminar e dar realidade à cruz. A conjunção de ambos os símbolos é o encontro de duas forças geradoras, opostas, da natureza. É a soma do par de contrários que originam a criação, a união dos polos masculino e feminino. A rosa equivale ao “ying” da filosofia chinesa (cf. ibid.). 

Deus

É a “Alma” universal, que tem mente, inteligência e poder. É a consciência. A alma de um ser animado não é independente, mas parte da alma universal. A alma pessoal é manifestação da universal; está no corpo físico e alcança a sua libertação quando se romper o cordão de prata que a une ao corpo. Com a morte, consegue-se a libertação do físico.

O Deus rosa-cruz é a “meta universal” que encontramos no pensamento de Pitágoras. Equivale à natureza, ao universo, o que nos leva ao panteísmo. Os rosa-cruzes também falam do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mas de modo diferente do cristianismo. O Pai é o iniciado mais elevado entre a humanidade do período saturnino. O Filho é o iniciado mais elevado do período solar. O Espírito Santo é o iniciado mais elevado do período lunar (cf. ibid., 475-476).

Para os rosa-cruzes, existiriam sete mundos inter-relacionados, pelos quais as pessoas passam. São períodos de renascimento. Trata-se de Saturno, Solar, Lunar, Terrestre, Júpiter, Vênus e Vulcano. Não são planetas, mas períodos de renascimento, de acesso à divindade, de percurso para ser igual a Deus, onipotente e onisciente (cf. ibid.).

Jesus

Segundo os rosa-cruzes, Jesus teve várias encarnações. O espírito de Cristo era um raio cósmico que entrou em seu corpo. Jesus é o maior ciclo de evolução do homem, é a luz que conduz ao reino. Ele não só escolheu e formou discípulos, como ainda preparou um grupo secreto de 120 pessoas que foram doutrinadas em conhecimentos esotéricos aprendidos por Jesus no Egito e com os essênios (cf. J. Cabral, Religiones, núm. 4, 79-81).

A pessoa humana

A pessoa é divina, como o Pai dos Céus, e por isso não pode ter limitações. Por meio de encarnações superiores e sucessivas, ela passa a níveis mais altos e se liberta totalmente. O “ego”, que entra no corpo através dos cônjuges, faz com que exista a prole.

Mediante a reencarnação, cada alma, que faz parte da essência universal cósmica ou divina, se incorpora fisicamente. Depois da morte, a alma se transfere para o plano cósmico. O ciclo de reencarnações se repete até a libertação total (cf. F. Sampedro – J. Escobar, Las sectas… núm. 4, 477; B. Kloppenbrug, Sectas en América Latina, Bogotá, 1981, 196-197).

Organização

É parecida com a da maçonaria, com juramento de segredo, iniciação e graus progressivos na ordem. A AMORC tem cerimônias fechadas para os diferentes graus, com características como o juramento de não revelar nada, a rigorosa investigação de cada membro ao entrar na ordem, o uso de termos como loja, mestre, grão-mestre, soberano mestre, supremo conselho e grande loja, além da existência de símbolos, palavras-chave etc (cf. ibid.).

Conclusão

Embora afirmem não ser um grupo religioso, os rosa-cruzes têm na sua doutrina, manuais e revistas uma série de aspectos religiosos, como ritos, orações, bênçãos, altares, templos. Muitas de suas doutrinas entram em choque com a revelação bíblica e com os principais postulados cristãos: é o caso da sua ideia de Deus, de Cristo, da pessoa humana, da reencarnação, do panteísmo, entre muitos outros exemplos. Eles chegam a usar a seu modo a bíblia cristã para “provar” suas crenças.

Devemos reconhecer que as pessoas que entram nesta ordem têm interesse pelo espiritual e procuram seguir uma vida moral exemplar. É muito provável que não tenham encontrado uma resposta em nossa Igreja por falha nossa própria. Em vez de julgá-las, devemos compreender os seus motivos e dialogar como irmãos, na certeza de que não precisamos temer a verdade. Juntamente com a caridade e o acolhimento, porém, não podemos perder de vista que a doutrina rosa-cruz é claramente incompatível com o cristianismo.
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