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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Tatuar-se: por quê?


A tatuagem se tornou comum nas sociedades ocidentais. Parece paradoxal, mas é precisamente em tempos de comportamentos fugazes e ideais inconstantes que a tatuagem se destaca como um sinal de “identidade” e um símbolo do “para sempre”.

A tatuagem muda o nosso olhar sobre o corpo: se contemplamos o Davi de Michelangelo ou qualquer outra representação clássica de corpo a partir da harmonia do conjunto, na tatuagem olhamos para a particularidade e nela intuímos o conjunto.

Significados

Cada desenho traz consigo um significado, como as andorinhas e o desejo de escapar, ou os motivos marinhos e sua relação com o medo da morte ao longo da navegação… Há caveiras, demônios e símbolos ligados ao lado escuro da existência, ou cobras, panteras e leões que remetem à transgressão e à força, ou borboletas, flores de lótus e pavões que dão ênfase à interação entre as cores. Há tatuagens que evocam o imaginário exótico: samurais, gueixas, monstros mitológicos… Há grupos que usam as tatuagens como marcas da sua identidade social.

Alguns números

Estima-se que 3,3% das pessoas tatuadas tenham tido complicações, reações alérgicas ou infecções, mas este número parece subestimado. 17% dos tatuados declaram ter-se arrependido e 4% procuraram formas de apagar tatuagens.

Ministérios da Saúde, como o italiano, proibiram alguns pigmentos sintéticos (em especial o preto e o vermelho) por causa do seu risco de contaminação; as cores naturais, por outro lado, têm uma ação autoesterilizadora. 18% das substâncias utilizadas para tatuar a pele estão contaminadas com microorganismos ou fungos. 

Algumas perguntas

Será que a evolução da tatuagem nos últimos anos conta histórias de uma nova liberdade antropológica, entrelaçado vida pessoal e social? Quais são as consequências pessoais e sociais do “consumo” de tatuagens? Esta prática pode ser uma “nova emancipação”, em que a carne nua relata novas batalhas da existência? A pele se torna o quadro-negro de um mal-estar espiritual indelével? Tenta-se mudar o corpo porque não se consegue mudar o entorno?

São perguntas instigantes para quem quer conhecer melhor a alma da cultura contemporânea e a sua busca de sentido.
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