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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Hilarion: “Os greco-católicos não ouvem a voz do papa”


“Muito foi dito sobre ser este o primeiro encontro da história. Mas eu acho que o mais importante é o conteúdo do encontro”, disse o metropolita Hilarion de Volokolamsk, presidente do departamento de Relações Exteriores do patriarcado ortodoxo russo de Moscou, em entrevista à Interfax-Religion sobre o encontro de 12 de fevereiro entre o papa Francisco e o patriarca Kirill em Havana.

De acordo com Hilarion, a declaração assinada pelos dois representantes religiosos “permanecerá durante muito tempo como um farol que orientará as duas tradições cristãs, a ortodoxa e a católica”. Um farol que ainda está longe de iluminar as relações entre a Igreja ortodoxa russa e Igreja greco-católica da Ucrânia, na opinião do metropolita. Após a reunião de Havana, levantou-se a opinião crítica do arcebispo maiori de Kiev, Sviatoslav Shevchuk, que disse: “Hoje estamos propensos a afirmar que muitos crentes se sentem marginalizados pelo Vaticano”.

A reação do greco-católica, afirma Hilarion, foi “muito negativa, muito ofensiva, não só para nós, mas também para o papa. Estas declarações mostram que a liderança da Igreja greco-católica ucraniana continua a ser fiel, como dizem, ao seu habitual repertório. Eles não estão dispostos a ouvir não apenas a voz do nosso patriarca, mas nem a voz do papa. Eles têm a sua agenda politizada, seus clientes que lhes colocam tarefas concretas, e fazem o que lhes é pedido. Nem mesmo o papa tem autoridade alguma para eles”.

São palavras fortes as de Hilarion, que ainda aumenta a dose dizendo que existe “a ideia de criar uma espécie de comissão para ajudar a resolver o problema do uniatismo”, mas “é difícil imaginar as tarefas específicas desta comissão, especialmente ao se considerar a atitude dos líderes da igreja greco-católica”. Além disso, Hilarion julga que “a sua retórica é agressiva, hostil, insolente, e está em marcado contraste não só com o conteúdo da declaração, mas também com o seu estilo, com a sua mensagem pastoral, com aquele espírito de reconciliação que emana da declaração”.

A questão dos uniatas poderia ser discutida durante uma próxima reunião entre Francisco e Kirill, talvez na Rússia. A este respeito, Hilarion é cauteloso, dizendo apenas que “quando as condições estiverem maduras para outra reunião, então decidiremos quando e onde fazê-la”. 

Enquanto isso, as duas Igrejas continuam a cooperar não só na defesa dos cristãos perseguidos, mas também na proteção da moral. “Quanto à proteção dos valores morais tradicionais, estamos em plena unidade com a Igreja católica”, afirmou Hilarion, que acrescentou: “Nós entendemos o casamento como a união entre um homem e uma mulher para o nascimento e crescimento dos filhos. Acreditamos que é necessário proteger a vida humana desde a concepção até a morte natural. Opomo-nos ao aborto. E palavras muito fortes foram expressas na declaração conjunta em defesa da vida, da proteção do direito de cada pessoa à vida. Eu penso que, nessas áreas, devemos reforçar a nossa cooperação”.

O metropolita recorda que na declaração não há traços de “nenhuma tentativa de aproximação doutrinal e não houve discussão de qualquer questão dogmática ou teológica”. Em vez disso, o documento convida a “aprender a viver e agir no mundo não como rivais, mas como irmãos, a proteger juntos aqueles valores que, para nós, são comuns; a pregar o Evangelho juntos, a testemunhar a todos a verdade de Deus”. É isto, conclui Hilarion, “o que podemos fazer juntos hoje”.
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ZENIT