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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Proposta de Marcha para Satanás não era uma iniciativa inocente, alerta Bispo


Circulou pelas redes sociais nos últimos dias a proposta de uma “Marcha para Satanás”, que ocorreria em 17 de janeiro, em diferentes cidades do Brasil, mas não aconteceu. A iniciativa, de acordo com os responsáveis, seria uma crítica ao que chamou de “Estado teocrático” e defenderia a liberdade. Diante disso, o Bispo auxiliar de Porto Alegre, Dom Leomar Brustolin alerta para o significado desse ato, ressaltando que “a questão simbólica não é inocente”.

“Se alguém preferir negar Cristo, é livre para tal, entretanto, ao defender o culto a Satanás, deve recordar que ele é ausência de luz”, adverte o Prelado.

Conforme destacou em seu artigo “Satanás no Estado laico?”, “a organização do evento usou uma linguagem sedutora para que a proposta fosse aceita pela sociedade”. Eles reivindicavam “o distanciamento das posições religiosas, especialmente as cristãs, nas decisões legais que norteiam o Brasil”.

“A marcha para a glória de Satanás queria ser acolhedora de todas as classes supostamente excluídas pela religião e se mostrava contra o fundamentalismo extremista”, explica o Bispo, acrescentando que “essa marcha pretendia fazer com que as pessoas passassem a olhar o mundo com outro perfil: sem tabus ou normas morais; com liberdade absoluta, sem culpa ou pecado".

“Ensinam que o Deus judaico-cristão é preconceituoso, e que no satanismo não há preconceito”.

Por outro lado, Dom Brustolin assinala que os cristãos defendem a liberdade religiosa e sabem como a intolerância pode levar à uma cultura de morte.

Da mesma forma, afirma que os cristãos entendem que o Estado é laico. “Entretanto – ressalva –, a sociedade e a cultura não são laicas. Elas são pautadas por valores, ideias e símbolos que expressam suas crenças e seus ideais.  Pretender uma isenção total desse conjunto de fatores que constituem o ser humano é uma abstração”.

Para o Bispo auxiliar de Porto Alegre, independentemente de ser maioria no Brasil, os cristãos não podem se calar frente a propostas que “pretendam desprezar o que lhes é mais sagrado: a dignidade da pessoa humana em sua dimensão integral e solidária”.

“Nem todos precisam concordar com a fé cristã, mas os valores humanistas que o cristianismo comporta merecem a reflexão de todos”, observa o Bispo, ao indicar que se trata de garantir a liberdade, acompanhada pelo respeito à alteridade. 

Nesse contexto, Dom Brustolin assinala que “a questão simbólica não é inocente”. “Quando se pretende que Satanás seja o referencial de uma crítica aos seguidores de Jesus Cristo, estabelece-se um antagonismo que não é apenas religioso, mas também moral, político, social e cultural”, indica.

O Prelado explica que, na visão cristã, Satanás “é sempre o opositor a Deus, divisor que separa Deus do ser humano e o faz pensar que pode ser feliz dessa forma”.

Ele cita o número 38 da Encíclica Dominum et Vivificantem, de São João Paulo II, para esclarecer: “O espírito das trevas é capaz de mostrar Deus como inimigo da própria criatura; e é, antes de tudo, inimigo do homem, como fonte de perigo e ameaça ao homem”.

Por isso, alerta que, “se alguém cultua Satanás, ou apenas usa esse simbolismo, pode não compreender o significado original e profundo no qual ele se sustenta: a mentira, o engano, a corrupção, a ausência do bem”.

Segundo o Bispos, “vivemos numa atmosfera de tanta mentira que muita gente, até de forma impensada, acaba concordando com a ausência da luz da verdade”.

Mas, Dom Brustolin vai além e destaca que em muitas outras ocasiões também acontece a “marcha para Satanás”, por exemplo, “toda vez que lemos notícias sobre violência, assassinatos, corrupção, mentiras, desprezo pela vida alheia, tráfico humano, aborto, traições e tantas outras situações que, independentemente da questão religiosa, a vida humana é desprezada”.

Diante disso, conclui afirmando que “precisamos defender a vida. O que falta são muitas marchas pela vida!”.
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ACI Digital