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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Liturgia - Tempo Comum: O Tempo da vida besta!


Com a Festa do Batismo do Senhor, terminou o Tempo do Natal. Após a Missa, retirou-se o presépio e, no dia seguinte, hoje precisamente, iniciou-se o chamado Tempo Comum, aquele, em que não se celebra nada de especial, a não ser o mistério mesmo do Cristo.

Tempo Comum… Tempo de nada, tempo da mesmice, da vida besta, da qual falava Carlos Drummond de Andrade? “Eta vida besta, meu Deus!” – dizia o poeta.

Não! A cor própria deste período é o verde, exatamente para mostrar que este Tempo Comum não é tempo miúdo, mesquinho da rotina de cada dia! O verde, é o da esperança, aquela que invade o coração de quem sabe que “nasceu para nós um Menino, um Filho nos foi dado”, como dizia Isaías; aquela esperança de quem sabe que o Menino é o Cordeiro de Deus que, morto, ressuscitou e permanece vivo no coração da Igreja e do mundo! O Tempo Comum é o tempo da esperança em Deus, tempo de crer que o Senhor está presente no dia a dia, nas pequenas coisas, que parecem sem sentido e bêbadas de banalidade!

Sabem um bom quadro da Bíblia para compreender este tempo? A vida oculta de Jesus em Nazaré. Alguns curiosos tontos – desses que não entendem nada de Bíblia e se metem a falar do que não sabem – ficam perguntando o que fez Jesus nos trinta anos de vida oculta. Será que foi ao Egito aprender alquimia? Teria ido à Pérsia aprender os segredos dos magos, as mágicas e feitiços dos pagãos? Alguns, alucinados, dizem que fora ao Tibet, aprender meditação… Festival de bobagens; coisas de desmiolados pedantes… De fazerem rir e chorar!

Mas, então, o que fez Jesus nestes trinta anos? O Evangelho diz, revela; é tão claro: Ele crescia! Isso mesmo: crescia, em estatura, sabedoria e graça (cf. Lc 2,52), como qualquer criança. Trinta anos de dia a dia, de coisas pequenas, de vidinha igual, rotineira, na acanhada Nazaré, aprendendo a ser gente, a ser homem… Que coisa linda: o Filho de Deus viveu em tudo a nossa condição! 

Trinta anos de acordar, trabalhar, rezar, comer e dormir, trinta anos de coisinhas miúdas, tornadas grandes pelo amor de cada dia, desse que a gente quase nem percebe, para nos ensinar a encher de Deus o nosso dia a dia. Isso mesmo: Ele Se encheu da nossa rotina para que a nossa rotina fosse cheia Dele!

Eis o sentido do Tempo Comum, tempo verde: dizer que nossos dias, por miudinhos que sejam, são cheios da graça e da verdade de Deus, a tal ponto, que são sementes de eternidade! Aproveitemos o tempo, por comum que seja, e ele será sempre tempo da graça de Deus, tempo de encontrar a eternidade!

Feliz Tempo Comum, caro Amigo!


Dom Henrique Soares da Costa

Bispo de Palmares, PE