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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Celibato: por que o padre não pode casar?


Vários textos na Sagrada Escritura ajudam entender o sentido de muitas coisas, no caso, sobre o Celibato ou a Virgindade. Esse citado abaixo parece ser de melhor clareza, até mesmo em relação ao matrimônio, porque são sacramentos que cultivam valores semelhantes. Por isso começaremos a reflexão com ele.

No Evangelho de São Mateus vamos encontrar: “Alguns fariseus se aproximaram de Jesus, e querendo pô-lo à prova perguntaram: É lícito repudiar a própria mulher por qualquer motivo que seja? Jesus respondeu: Não lestes que desde o princípio o Criador os fez homem e mulher? E que disse: por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher e os dois serão uma só carne? De modo que os eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar”.

Os discípulos ficam indignados com tudo o que Jesus afirma e dizem que se é assim a condição do homem e da mulher não vale a pena casar-se. Jesus acrescentou: “Nem todos são capazes de compreender essa palavra, mas só aqueles a quem foi concedido. Com efeito, há eunucos que nasceram assim, desde o seio materno. E há eunucos que foram feito eunucos pelos homens. E há eunucos que se fizeram eunucos por causa do Reino dos Céus. Quem tiver a capacidade para compreender que compreenda”. (Mt 19)

Por que o padre não pode casar? Paralelo a isso pode ser feito outra pergunta: Por que o casal não pode se separar?

Se a primeira pergunta for respondida que o padre pode casar, pode ser respondida a Segunda dizendo que o casal pode se separar. No entanto, “desde o princípio não era assim”. Onde está o valor da opção fundamental na liberdade e fidelidade ao Celibato? E onde está o valor da opção fundamental na liberdade e fidelidade ao Sacramento do Matrimônio (prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te na alegria e tristeza, saúde e doença todos os dias de nossa vida)?

O Celibato, assim como qualquer opção consagrada, ou até mesmo de estar a serviço do outro, deve ser irrigado e sustentado pela Sabedoria divina. Caso contrário, tudo isso não passa de uma "loucura". Mesmo porque isso é um Dom de Deus para seus filhos. Ainda mais para uma mentalidade hedonista que se respira nos tempos hodiernos. O Celibato ou Virgindade têm um valor que extrapola os raciocínios humanos, justamente por ser um Dom de Deus; assim como é um Dom de Deus a fidelidade no Matrimônio para a União e a Procriação.

Para assumir o Celibato como Dom, assim como qualquer outra opção de liberdade pessoal, necessariamente deve haver renúncias, as mais "duras" são aquelas que partem do interior, ou seja, renunciar a si mesmo. “Quem não renunciar a tudo que possui e até a própria vida, não pode ser meu discípulo”. Tudo isso, humanamente é impossível. 

Sendo assim, jamais se pode desmerecer e negar o valor de um Dom Sacramental como o Celibato, o Matrimônio, ou ainda, qualquer opção de amor, por causa de um ou outro que transgride o "mandamento" da opção feita. A função do pecado é dividir, destruir, e nenhuma pessoa pode dizer: “dessa água eu não beberei”. “Quem está de pé, tome cuidado para não cair”. Qualquer caminho oferece combate. Com plena consciência de toda a realidade envolvente fica muito difícil negar o valor e a necessidade desse estado de vida. O pecado corrompe todos os valores, fazendo com que cada um prefira servir a voz do próprio "eu", não levando em consideração o "tu", "ignorando" que a vida e a felicidade próprias estão na doação total de si mesmo. O padre se casar ou não se casar, não é a questão mais importante, quando o Celibato é uma opção como um Dom de Deus. Da mesma forma o Matrimônio ser desconsiderado, sabendo-se do valor indiscutível da fidelidade e do respeito que deve haver um para com o outro.

O que complica todas as situações é querer dar razões meramente humanas não levando em conta o Dom da Fé. Uma coisa é certa: Deus vai muito mais, muito mais longe do que se pode imaginar com a vida daqueles que procuram simplificar as coisas. As respostas sensatas vão surgindo à medida que a Vida é vista (não só a própria) como Dom de Deus e, que a Vida e o Dom de cada um devem ser respeitados acima de qualquer coisa, sobretudo acima do “eu acho ou eu não acho” sem fundamento. Jesus, que é o exemplo de tudo isso para todos os seres humanos, convida a todos a satisfazer as mais modestas exigências do próximo, a não induzir os fracos ao mal, a acautelar-se contra as tentações e contra o engano de si mesmo. Jesus afirma também que todo discípulo deverá ser salvo pelo fogo purificador da dor e da provação, não deverá perder o sal do entusiasmo da opção que fez e só viverá em paz se possuir o sal de sua doutrina (Evangelho).

Qual é a sua opção? E como está respondendo a ela?



Pe. Geraldo José Urbinatti