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sábado, 12 de dezembro de 2015

Por que o neopentecostalismo é pagão?


Hoje (04/05) de manhã eu li no facebook a seguinte frase: "Deus é fiel e fará acontecer os planos dele na minha vida". De correta esta frase só tem uma afirmação: "Deus é fiel". Todo o resto é um grande erro teológico e antropológico. Este pensamento está presente na atual pregação neopentecostal tanto dentro da Igreja Católica por meio da R.C.C. quanto fora, nas seitas ditas cristãs. É cantada em verso e prosa nas canções dos atuais cantores, cantoras e "ministérios". Ou seja: esta frase exemplifica um pensamento corrente, mágico, intervencionista e determinista da parte de Deus.

Em primeiro lugar, as pessoas colocam tudo na conta de Deus: se são infelizes, Deus vai dar a felicidade; se são pobres, Deus vai dar riqueza; se são mal amadas, Deus vai dar o casamento perfeito; se estão doentes, Deus vai dar a cura, etc. Lidam com Deus de maneira infantil, como uma criança que não pode lidar com os problemas da vida e precisa do super-pai para colocar-se entre a pessoa e o tal problema e evitar que a pessoa sofra. Este pensamento mágico é infantilizante. Não prepara a pessoa para enfrentar o sofrimento com fé, mas, fá-la sofrer ainda mais esperando uma intervenção de Deus que pode nunca vir, porque uma coisa é a vontade da pessoa e outra é a vontade de Deus. De vez em quando ambas coincidem, outras vezes não. Aqui chega-se a outro problema: e quando a intervenção divina não ocorre? Quando a dívida é cobrada? Quando a doença ceifa a vida da pessoa? Quando não aparece o príncipe encantado? O mais provável é que a pessoa antes fervorosa, por causa da motivação dos pregadores da teologia da prosperidade, agora arrefeça na fé e afaste-se da Igreja ou da seita. Caridade aqui nem se cogita. Esta espécie de fé é de tipo individualista, intimista e egoísta. É a fé do inferno, como falava padre Léo numa de suas memoráveis palestras.

Não há nada mais anti-cristão do que o neopentecostalismo que para mim é paganismo puro. A fé cristã genuína baseia-se na Revelação de Deus aos homens por meio de seu Filho Jesus Cristo imolado, ressuscitado e glorificado. Ele ensina que o culto em espírito e verdade que é a Santa Missa glorifica a Deus e santifica o homem. Tal culto é o ato litúrgico da fé, por parte do homem, e é a dispensação da graça por parte de Deus. É uma ação teândrica: o homem vai a Deus porque Deus veio ao homem! Esta sempre foi a compreensão da Igreja. A lei da fé é a regra da oração: Lex orandi, lex credendi. As obras da fé - que também se transformam em oração - são a segunda parte da vida cristã. Logo, a fé cristã genuína tem dois traços. Um horizontal e um vertical, como a cruz. A fé e o culto, que é a Missa, ligam o homem a Deus por meio de Jesus o nosso mediador; a seiva da vida divina é doada do tronco da videira aos ramos, os homens, os liga entre si e aumenta o vínculo da caridade: É a eucaristia que alimenta a caridade. Logo, fé, Missa (oração pessoal) e caridade são marcas indeléveis do ser cristão. O paganismo neopentecostal das "promessas" solapa tudo isso. Nele não há sacerdócio ordenado pelos sucessores dos apóstolos, que são os Bispos, porque os pastores a si mesmos outorgam o grau/título do que quiserem. Assim, não há Eucaristia; não havendo sacerdócio nem eucaristia não há o Corpo Místico presente sacramentalmente. Não havendo o corpo místico, o culto neopentecostal, pentecostal, evangélico e protestante (em grande parte) é apenas um juntamento de pessoas com a mesma finalidade, como acontece num show de rock, por exemplo. Não sendo Corpo Místico de Cristo - Igreja - o ato de orar do neopentecostal é fundamentalmente individual, ainda que ladeado por milhares de pessoas. Não bastasse isso, a prática do culto neopentecostal é uma sucessão de histeria, emocionalismos, sentimentalismos e reforço da presença do mal na vida das pessoas com a finalidade explícita de ganhar dinheiro com isso tudo. Assim, não restou nada de cristão ao culto/oração neopentecostal para requererem esta identidade. A marca da Igreja desde o princípio foi a eclesialidade, a comunhão dos santos, a dimensão eclesial da fé. São pagãos travestidos de cristãos que usam a bíblia para justificar as suas práticas individualistas. 

O pensamento mágico neopentecostal

O pensamento mágico é determinista: se estou numa má fase da vida, então é porque Deus já preparou algo bom para mim, logo, a fase boa chegará com certeza nesta vida intra-mundana, pois, segundo a pregação da teologia da prosperidade - que é materialista - a resposta de Deus e o cumprimento das tais "promessas" pessoais se dá nesta vida intra-mundana e Deus, quando quer, resolve tudo num passe de mágica!

Os pregadores da teologia da prosperidade pegam trechos aleatórios da escritura para justificar promessas pessoais, individuais, onde não há. As promessas de Deus que há na Sagrada Escritura, se referem à salvação de Israel - no Antigo Testamento - e a salvação do gênero humano, no Novo Testamento. Não há espaço para promessas individuais. No máximo, a Sagrada Escritura permite o indivíduo se reconhecer nalguns trechos quando o Senhor se dirige aos seus eleitos, por exemplo.

Por isso, fora da Igreja Católica a interpretação das Escrituras só pode conduzir a erro, pois, sem a Igreja não há possibilidade das Escrituras serem compreendidas no sentido em que foram escritas, e ainda mais a interpretação fica sujeita ao arbítrio do indivíduo que não possui o caráter eclesial das escrituras e da vivência da fé batismal para interpretá-las.


A morte da liberdade no determinismo cego

O determinismo é o fim da liberdade. Ou o ser humano é livre, sua vida é livre e seu destino final incerto, fruto de suas decisões pessoais livres; ou o ser humano já tem uma vida pre-determinada por um ente (seja ele Deus ou quaisquer outro) e então não adianta o ser humano fazer nada, pois, o fim está já previsto. Esta espécie de determinismo cego entrou na espiritualidade cristã por meio do quietismo do século XVII e é muitíssimo usado nas seitas neopentecostais. O Papa Inocêncio XI condenou esta doutrina como herética e seu fundador, Molinos, ficou em um Mosteiro de Roma até sua morte.

Se Deus já vai fazer tudo pelo ser humano, se já vai restaurar tudo, dar a vitória aqui nessa vida intra-mundana, tudo vai ficar bem apesar do que dizem os sinais presentes da vida pessoal, então não precisa o ser humano fazer nada, pois, Deus vai fazer tudo. Onde fica a liberdade pessoal e a providência divina? Este pensamento parece querer determinar a Deus o que Ele deva fazer. Caso Ele não faça, estaria indo contra suas próprias promessas. É tão obtuso que tenta enclausurar até Deus, como se tal fosse possível!

O erro antropológico e teológico desta teologia está em querer justificar tudo o que acontece de negativo na vida humana como fora dos planos de Deus. Per se nega a cruz de Cristo, pois, ela é o fruto inexorável do sofrimento do Divino Redentor permitido por Deus. Nega Deus e sua providência, nega as divinas consolações que acompanham o cristão durante a santa viagem crucificada na carne, nega o valor redentor do sofrimento e, por fim, declara-se um ato de apostasia da verdadeira fé cristã.


Logo, todo cristão deve rejeitar frontalmente estas frases de facebook, estas letras de músicas mundanas travestidas de religião. Devem rejeitar estas pregações, pois, não traduzem a verdadeira fé católica. Elas são o produto de uma religião materialista, da religião do homem, da religião que não provém de Deus.


Padre Luis Fernando Alves Ferreira
Padre da Diocese de Itumbiara há 6 anos. Cursou Filosofia no Instituto Dom Jaime Collins e Teologia no Instituto Santa Cruz em Goiânia. É Secretário do Conselho Presbiteral da Diocese de Itumbiara, Coordenador Regional de Pastoral e Promotor Vocacional Diocesano.
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