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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

José entre o drama de consciência e a justiça


Já às portas do grande dia esperado do Natal do Senhor, nós meditamos sobre o evangelho de Mateus 1,18-24, que fala o que aconteceu imediatamente antes do nascimento de Jesus.

O evangelista apresenta José, a quem chama de justo. A justiça de José é um fruto do evangelho. Mesmo antes de Jesus nascer, nós vemos antecipadamente as bem-aventuranças em José.

Antes de falar que José é justo, Mateus o apresenta diante de uma dramática crise de consciência.

A notícia de que um menino crescia no ventre de Maria lhe parecia inexplicável, porque sabia que aquele filho não era seu.

A vida de Maria estava em suas mãos. Ele poderia repudiá-la, expô-la à condenação ou despedi-la em segredo.

Em seguida, Mateus mostra um José que se entrega a Deus, abre-se à sua palavra, quando o Senhor lhe diz em sonho: “não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo”.

Diante dessa palavra, José fica em silêncio. Nem um suspiro sai de sua boca. José analisa o rosto transparente da sua esposa, procura ler o silêncio com que ela guardava um mistério indizível.

Mais do que isso: vai além das aparências para aceitar um “segredo” que não consegue compreender e do qual não consegue sequer se aproximar.

À vergonha de Maria, ele responde com respeito, delicadeza e generosidade.

Em José, a justiça se torna mais justa. É por isso que Mateus o define como um homem justo.

Para ser assim, ele somente podia ser um homem de fé, um homem que sabe fazer silencia diante da Palavra de Deus que salva. 

A justiça de que fala o evangelho não tem por finalidade julgar e resolver tudo aqui e agora. Diferentemente de nossa justiça, é uma justiça que se confia à misericórdia em vez de condenar.

Trata-se de uma justiça que pode parecer um sonho para a nossa sociedade dura e sem piedade.

A justiça do evangelho é o sonho dos homens verdadeiramente grandes que não ocupam a cena do mundo, mas são o sal e o fermento que guardam e preparam a salvação do mundo.

Na nossa caminhada para o Natal, questionemo-nos: como anda a nossa justiça? 
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Pastoral Universitária UCDB