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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Homilética: 2º Domingo do Natal*: "O nosso Deus é um Deus Palavra que nos fala em Jesus".


Toda a liturgia de hoje está permeada de uma palavra maravilhosa: palavra. Palavra que desceu dos céus quando um profundo silêncio e quando a noite envolvia tudo (antífona de entrada). Palavra que colocou a sua tenda aqui embaixo e se encarnou em Cristo (1 leitura e evangelho). Palavra que é Deus, é Vida, é Luz. Palavra que, aproximando-se de nós, elege-nos  para sermos santos e imaculados na sua presença (2 leitura).

Textos: Eclo. 24, 1-4.12-16; Ef 1, 3-6.15-18; Jo 1, 1-18

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, o nosso Deus é um Deus que nos fala. Os homens e mulheres desejaram que os deuses lhes dirigissem uma palavra. O salmo faz notar que os ídolos dos pagãos “têm boca e não falam, têm olhos e não veem, têm orelhas e não ouvem, têm nariz e não sentem o cheiro, tem mãos e não tocam, têm pés e não andam, não têm voz nem garganta” (Sal 115, 5-7). Pelo contrário, o profeta Baruc proclama a sorte de Israel que tem um Deus que se comunica com os seus fiéis: “Felizes somos, Israel, pois o que agrada que ao Senhor se nos foi revelado” (cf. Bar 4,4). Deus nos falou por etapas. Primeiro, por meio da natureza, na obra maravilhosa da criação. Depois, falou-nos por meio dos profetas. E finalmente, falou-nos por meio do seu Filho (cf. Heb 1, 1-4). E nos fala porque quer entrar em comunicação conosco, as suas criaturas e os seus filhos prediletos, e assim participar do seu amor e dos seus sonhos. Deus não é um Deus mudo. Deus se fez Palavra e pede uns ouvidos interiores para escutá-la, um coração para interiorizá-la e remoê-la dentro de nós, como fez Maria, e uma vontade para colocar em prática o que essa Palavra me pede, sugere-me ou me exige para meu bem.   

Em segundo lugar, Jesus é a Palavra eterna de Deus, que se fez som para puséssemos atenção e se fez imagem para o víssemos entre nós. Jesus é a revelação de Deus Amor ao homem. Mas é também a revelação de Deus sobre o homem mesmo. Olhando para Ele aprenderemos o que somos e a que dignidade estamos chamados: “A ser santos e irrepreensíveis diante dos seus olhos” (2 leitura). Esta Palavra que e Jesus se oferece a nós, não è imposta. Por isso alguns não a receberam, fecharam as portas da sua casa quando veio a este mundo. “Não havia lugar para Ele”. Ignorar a Palavra de Deus feita carne não nos faz mais inteligentes e livres, mas mais cegos e escravos, mais desumanos. E cairemos no que disse o Papa Francisco na sua viagem aos Estados Unidos: na cultura da exclusão, do descarte, da destruição... e privaremos os nossos irmãos das três T que o Papa mencionou: teto, trabalho, terra. Esta Palavra encarnada “continua batendo as nossas portas, a nossa vida. Não faz isso magicamente, não faz isso com por arte de mágica, com cartais luminosos ou fogos artificiais. Jesus continua batendo a nossa porta no rosto humano, no rosto do vizinho, no rosto de quem está do nosso lado” (Papa Francisco aos sem teto na paróquia de São Patrício, Washington, 24 de setembro de 2015). Mas quando escutamos esta Palavra existem famílias reunidas ao redro dessa Palavra, diálogo, inclusão, paz e reconciliação duradoura, autêntica liberdade, respeito do irmão- pobre, ancião, jovem, criança- e do ambiente.      

Finalmente, o que tenho que fazer com essa Palavra? Essa Palavra que é Jesus, tenho que interiorizá-la no meu coração, deixar-me plasmar por ela e comunicá-la no meu meio ambiente. Primeiro, interiorizá-la na meditação diária e contemplação dessa Palavra que é viva e eficaz; até que eu seja eco dessa Palavra. Segundo, deixar-me plasmar por ela para que ela guie os meus passos, ilumine os meus pensamentos e flameje e purifique os meus afetos. E finalmente, comunicá-la por onde for com valentia e entusiasmo, pois todos têm que escutar essa Palavra que é Vida, e acabe com todos os fautores de morte; Palavra que è e Luz, e ilumine os que andam nas trevas; Palavra que se encarnou para nos dizer como nos comportar-nos como homens nas nossas relações com os demais. Os que receberem esta Palavra serão chamados filhos de Deus e se comportarão como filhos de Deus, santos e imaculados na sua Presença. Todos necessitamos a luz dessa Palavra para não errar no caminho e responder com a verdade todas essas ideologias que hoje pululam contrárias à Lei de Deus e à Lei Natural. Todos necessitamos o fôlego dessa Palavra para não decair o ânimo. Todos necessitamos o fogo dessa Palavra que queime as nossas impurezas e desfaça os nosso gelos de soberba.   

Para refletir: Encontro-me diariamente com Deus e com a sua Palavra, meditando a Sagrada Escritura? O que me diz essa Palavra de Deus? Por que essa Palavra ainda não se impregnou profundamente no meu ser, até o ponto de se encarnar nos meus pensamentos, afetos e vontade? E se já me encontrei com Deus Palavra, procuro levar essa Palavra ao meu lar, ao meu trabalho, à minha faculdade, à minha paróquia, às minhas amizades? Dou testemunho do poder eficaz da Palavra na minha própria vida?

Para rezar:

Quero, Senhor, fazer da vossa Palavra um caminho para a minha vida.
Quero encontrar-me com ela, Senhor, meu Deus.
Quero ser discípulo vosso e colocar-me à vossa escuta cada dia.
Abri os meus ouvidos, Senhor, à vossa Palavra.
Fortalecei-me com a força da vossa Palavra;
Convertei-me com a Luz da vossa Palavra;
Limpai-me com a pureza que a vossa Palavra traz ao meu interior;
Conduzi-me com a sabedoria da vossa Palavra;
Ensinai-me com a Verdade da vossa Palavra;
Consolai-me com a alegria da vossa Palavra;
Vivificai-me com a Vida Nova da vossa Palavra;
Sustentai-me com a firmeza de Rocha da vossa Palavra.


Pe. Antonio Rivero, L.C.
Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de São Paulo (Brasil)
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* Esta liturgia é celebrada onde a celebração da Epifania do Senhor é celebrada no dia 6 de janeiro.
ZENIT