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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A Igreja não precisa da ciência


O padre Lemaître, cientista de fama mundial e criador da teoria do Big Bang, respondendo se a ciência é necessária à Igreja, afirmou:

“Certamente que não; a cruz e o evangelho bastam-lhe. Mas ao cristão nada de humano é alheio. Como poderia a Igreja desinteressar-se da mais nobre das ocupações estritamente humanas: a busca da verdade?”

Nesta colocação simples, mas profunda, o sábio jesuíta põe, como se diz, “os pingos nos is”. Num mundo dominado pela doutrina materialista e pelo seu filho mais “nobre”, o cientificismo, muitos são levados a sacrificar dogmas de fé em nome de uma suposta busca de harmonia entre ciência e fé.

Cristo fundou a Igreja católica para anunciar a boa nova da salvação. Esta é a sua missão. Mas, como bem lembra o padre Lemaître, o bom cristão não pode ficar alheio às coisas do mundo. A ciência é uma forma de resposta ao anseio da busca da verdade, que se revela pela glória do Criador manifestada na criação. Este desejo foi colocado por Deus no coração do homem. Sendo assim, muito interessa à Igreja e aos cristãos a ciência. Entretanto, esta não é necessária à Igreja: é algo mais, um instrumento útil, mas não lhe faz parte da base. Nosso amado papa João Paulo II explicou isso dizendo:

“A ciência pode purificar a religião do erro e da superstição. A religião pode purificar a ciência da idolatria e do falso absolutismo”.

Quão inspiradoras as palavras do papa! Se no passado a ciência ajudou a eliminar qualquer traço de misticismo da religião, hoje é a ciência que precisa da religião para se livrar da “idolatria e do falso absolutismo” do cientificismo. Esta doutrina filosófica se mascara de verdade científica e tenta fazer-nos crer que o universo é regido e organizado unicamente por leis físicas e acaso; que não há propósito na criação. Ora, isso é instrumento da ciência, faz parte das hipóteses que a ciência, como método, assume para poder investigar a natureza. Mantendo-se isto como hipótese de trabalho, como método, não há problema. Entretanto, isto de forma alguma pode ser estendido à doutrina filosófica, como fazem os cientificistas. Eles, numa atitude anticientífica, assumem esta postura e negam qualquer direito de posição contrária. Quem se opõe, e muitos cientistas o fazem, é tachado de ignorante, fanático ou fundamentalista. 

O que pode ser mais danoso que um ateu cientificista? Um religioso cientificista! Em busca de tentar harmonizar estas doutrinas materialistas com a fé, algo impossível, abdica-se de dogmas fundamentais. De maneira geral, argumenta-se que não há necessidade de propósito para entender a natureza.  Assume-se que Deus fez o universo e suas leis no início dos tempos e, depois, deixou que ele seguisse seus rumos, previamente pensados e queridos por Ele. Isolar Deus na origem de tudo, deixando o universo seguir só, é uma maneira fácil de evitar qualquer choque entre o cientificismo e a nossa fé. Entretanto, como bem argumenta o cardeal Dulles, não é consistente com a doutrina cristã. Segundo ele, se Deus atuou na história com profetas, se enviou seu Filho para morrer por nós, se o ressuscitou no terceiro dia e realiza tantos milagres até hoje, esta posição não pode ser cristã. De fato, como lembra o cardeal, esta filosofia não é nova. Chama-se deísmo e já foi condenada pela Igreja há muitos séculos.

Atualmente, a postura deísta é muito comum para tentar conciliar a fé com o darwinismo materialista. A teoria da evolução não é um problema para a fé cristã, mas interpretá-la conforme o deísmo é, pois, como ensina a Igreja, há propósito na criação e Deus atua na história do universo. De modo geral, o que é importante é que fique claro para todo cristão que a ciência é um método para investigar a natureza. Ela não é, em si, uma doutrina filosófica. Quem tenta convencer os outros disto ou não sabe nada sobre filosofia da ciência ou está agindo de má fé. Mesmo cientistas ateus, sérios, não extrapolam as capacidades da ciência. Richard Feynmann, ganhador do Nobel em Física, dizia que a ciência é como observar uma partida de xadrez: “Não conhecemos as regras, e tudo que podemos fazer é observá-la. É claro que, se insistirmos na observação, acabaremos captando algumas das regras, e estas formam a física fundamental”. Mas acaba aí o papel da ciência, que se limita a observar e entender as regras.

A missão da Igreja não é científica, e, portanto, não precisa da ciência. Mesmo assim, a Igreja reconhece na ciência um meio de vislumbrar as maravilhas do Criador e, por isso, um caminho válido para a busca da verdade. O uso do método científico como filosofia, junto com a filosofia materialista, porém, é considerado grave erro pela Igreja. Os católicos e os cientistas que têm fé devem unir-se contra o monopólio cientificista da verdade, para o bem da própria humanidade.


Alexandre Zabot
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