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sábado, 21 de novembro de 2015

“Temos que dizer que o mundo muçulmano está doente”, afirma ensaísta islâmico francês




Muçulmano praticante, médico de formação, ensaísta, especialista na questão do islã na França e autor do livro “França-Islã: o choque dos preconceitos”, Malik Bezouh conversou com Aleteia.

Aleteia: Como você analisa a atmosfera na sociedade francesa depois dos ataques?

Malik Bezouh: Há um medo geral, as pessoas estão claramente com medo. Quanto aos muçulmanos, eles estão inquietos e temem as generalizações. Mesmo assim, temos que sair dessa postura vitimista. Mas só responder às generalizações é estéril. Não podemos nos contentar com isso. O que precisamos é dar mais um passo e explicar. A nossa sociedade está em uma encruzilhada. Este drama é um “agora ou nunca” para fazermos uma espécie de “psicoterapia nacional”.

Qual é a posição que os muçulmanos da França devem adotar?

Existe uma dificuldade com a nossa religião: o fundamentalismo que se expressa através desses ataques não é uma doença, mas sim um sintoma muito mais profundo. Nós temos que ser capazes de dizer que o mundo muçulmano está doente. Seria bom que reconhecêssemos as nossas falhas. Poucos dias antes dos ataques, eu recebi uma “fatwa” nas redes sociais me condenando à morte porque eu sou um “reformador”. Eu não vou desistir, já que eu também sou um ativista do patriotismo francês. Eu acredito no amor da França, eu tenho que me comprometer, isso está nas minhas entranhas. Os católicos têm aprendido a lidar com o anticlericalismo galopante e com a cristianofobia. O islã também tem que aprender a lidar com essa realidade. 

Como você vê a reação dos franceses de “cultura” católica?

Eu acho que, no geral, a reação é sadia. A cultura católica fez a França ter valores nobres que ajudam a aliviar as tensões. Felizmente, a cultura católica está aqui para oferecer uma vontade de fraternidade entre os franceses! Esta cultura moldou a França e os franceses; o imaginário dos franceses se banha nela. Reconciliações, reencontros e debates são mais possíveis do que nunca. Eu estou otimista, porque a França é forte, ela já passou por muita coisa desde os tempos do rei Clóvis. Somos muitos, hoje, trabalhando para melhorar o relacionamento entre as diferentes comunidades.

Sendo muçulmano, como você contribui para esse diálogo?

Eu estou empenhado no “proselitismo patriótico”. Por isso, eu gostaria de expressar ostensivamente o meu amor pela pátria francesa.
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Aleteia