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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Pedagogia Litúrgica para o mês de Novembro de 2015


Na conclusão de mais um Ano Litúrgico, que celebramos no decorrer deste mês de Novembro, a Pastoral Litúrgica de nossas comunidades é convidada a incentivar a esperança e a cultivar a serenidade no coração de todos os celebrantes. Isto tem início na primeira celebração de Novembro, na festa de Todos os santos e santas, recordando que quem espera em Deus terá a recompensa nos céus e participará da santidade divina.

Santos e santas são aqueles que viveram como servos e servas do Senhor nesta terra, dedicaram suas vidas ao serviço fraterno, limparam suas mãos e seus corações no sangue do Cordeiro, tornando-se inocentes, puros como inocente e puro é o Coração de nosso Mestre, Jesus. Agora, eles participam plenamente da santidade divina como filhos e filhas de Deus e como discípulos e discípulas de Jesus Cristo. Por isso, a Igreja insiste que a vocação cristã tem como objetivo a santidade para participar e viver em comunhão com a vida divina. Esta é, portanto, uma das principais finalidades de celebrar na Liturgia a santidade divina oferecida a todos nós, homens e mulheres, presente nos Mistérios Pascais de Cristo. Uma Liturgia que convida seus celebrantes a serem santos e santas, que recorda a vocação à santidade e que a santidade é a realização plena da vida humana.

Um modo de entrar no caminho da santidade é viver com os pés na terra, sem esquecer que não somos eternos, que não temos morada permanente aqui na terra, como celebrado na Missa da Comemoração dos fiéis defuntos (finados) como sua bela e forte profissão de fé: Eu creio na vida eterna! Professar a fé na vida eterna é professar a certeza de que Deus não quer a morte do homem e da mulher, mas que ele viva cultivando a semente da vida eterna, plantada pelo próprio Deus no coração humano. Eis, porque a Igreja jamais celebra a morte, mas sempre celebra a força da vida e conforta os que choram o sentimento de perda de seu ente querido. A Igreja sempre celebra o encontro com a morte com a força da esperança para fortalecer os enfraquecidos pelo luto, provocado pela experiência da morte. 

Somos destinados para a eternidade

Levando em consideração as duas primeiras celebrações, entende-se que, do ponto de vista pedagógico, a pedagogia litúrgica de novembro propõe duas funções. Uma delas é apresentar o destino do cristão que se faz discípulo e discípula de Jesus; o destino da santidade. A outra, chamar atenção para a transitoriedade da vida; não nascemos para a terra, mas começamos a viver na terra e continuamos a viver eternamente no céu, vivendo a plenitude do amor divino. A vida vem da santidade e só se realiza na santidade.

Existem caminhos e comportamentos que favorecem a busca e o destino da vida eterna. Um deles é vivendo na generosidade, porque a generosidade alegra o coração humano (32DTC-C). A generosidade, a partilha e a solidariedade não empobrecem porque são geradoras de vida que produz mais vida. O exemplo maior está no próprio Jesus que, generosamente, ofereceu sua vida na Cruz para nos libertar do pecado em vista da plenitude da vida. Diante deste fato, a celebração do 32DTC-C propõe aos celebrantes celebrar a generosidade divina para com a humanidade e aprender do próprio Deus a viver generosamente e distanciar-se sempre mais do egoísmo.

Deixar o egoísmo é um modo de redirecionar a visão da própria vida. Todo egoísta é auto-referencial, tem o olhar mais voltado para si próprio que para o outro, de onde a impossibilidade de ser generoso e ingressar na estrada do discipulado. A pedagogia litúrgica insiste na necessidade de considerar que as coisas do mundo, mesmo que seja a maior riqueza da terra, não tem utilidade diante de Deus, se não forem partilhadas. Por isso, as últimas celebrações do Ano Litúrgico conduzem os celebrantes a refletir sobre o final dos tempos (33DTC-B). Longe de considerar tais celebrações com temor, são celebrações que convidam a acender a luz da esperança e do desejo para encontrar-se com Deus. São celebrações que profetizam a necessária vigilância em vista do fim dos tempos e, ao mesmo tempo, a esperança de participar e comungar a vida divina.

Proclamação do reinado divino

As duas últimas celebrações — Solenidade de Cristo Rei e 1º Domingo do Advento — acompanham o anúncio do final dos tempos com a proclamação do reinado divino, na terra. Na Liturgia da Palavra do 34DTC-B acontece a descrição da identidade gloriosa de Jesus Rei do Universo. Depois de ouvir e conhecer esta identidade, a pergunta de Pilatos pede uma comprovação: “tu és Rei?” Jesus responde explicando que tipo de reinado é o seu: seu reinado não é deste mundo. É um Reino cultivado no mundo por seus discípulos e discípulas através do testemunho dos valores evangélicos, mas que não pertence ao mundo. Pertence à esfera divina e traz consigo o desejo divino de que o homem viva plenamente sua humanidade na terra.

Os cultivadores deste Reino, especialmente aqueles que se fazem discípulos e discípulas de Jesus, são conhecidos e reconhecidos como semeadores e cultivadores da justiça, no meio da vida social. Por isso, o 1º Domingo do Advento, que abre o novo Ano Litúrgico, ainda não fala do Natal, mas aponta para um novo início, um novo tempo, uma nova oportunidade para renovar o compromisso com o projeto divino. É assim que visualizamos o Advento e o início de mais um Ano Litúrgico, o qual será acompanhado e conduzido pelo evangelista Lucas. Um novo tempo, portanto, para propor aos celebrantes caminhar ao encontro do Senhor que virá em sua 2ª vinda, cultivando as sementes da justiça, cujos frutos serão colhidos e ofertados a Deus em forma de amor e da verdade.


Serginho Valle
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Serviço de Animação Litúrgica