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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Papa preside Missa em memória de bispos e cardeais falecidos


SANTA MISSA EM SUFRÁGIO
PELOS CARDEAIS E BISPOS FALECIDOS DURANTE O ANO

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

Basílica Vaticana, Altar da Cátedra
Terça-feira, 3 de Novembro de 2015


Hoje recordamos os irmãos Cardeais e Bispos falecidos durante o último ano. Nesta terra amaram a Igreja, sua esposa, e nós rezamos para que em Deus possam gozar da plena alegria, na comunhão dos santos.

Voltamos a pensar com gratidão também na vocação destes Ministros sagrados: como indica a palavra, consiste antes de tudo em ministrar, ou seja, servir. Enquanto pedimos para eles a recompensa prometida aos «servos bons e fiéis» (cf. Mt 25, 14-30), somos chamados a renovar a escolha de servir na Igreja. É quanto nos pede o Senhor que, como um servo, lavou os pés aos seus discípulos mais próximos a fim de que, como Ele fez, também nós o façamos (cf. Jo 13, 14-15). Deus serviu-nos primeiro. O ministro de Jesus, que veio para servir e não para ser servido (cf. Mc 10, 45), não pode deixar de ser, por sua vez, um Pastor pronto a dar a vida pelas ovelhas. Aos olhos do mundo quem serve e doa parece um perdedor. Na realidade, é quando perdemos a vida que voltamos a encontrá-la. Porque uma vida que se desprende de si mesma, perdendo-se no amor, imita Cristo: vence a morte e dá vida ao mundo. Quem serve, salva. Ao contrário, quem não vive para servir, não serve para viver.

O Evangelho recorda-nos isto. «Deus amou de tal modo o mundo», diz Jesus (Jo 3, 16). Trata-se verdadeiramente de um amor muito concreto, tão concreto que Ele chegou a assumir sobre si a nossa morte. Para nos salvar, Ele alcançou-nos onde fomos parar, afastando-nos de Deus, doador da vida: na morte, num sepulcro sem saída. Este é o abaixamento que o Filho de Deus levou a cabo, inclinando-se como um servo sobre nós para assumir tudo o que é nosso, a ponto de nos abrir de par em par as portas da vida.

No Evangelho, Cristo compara-se com a «serpente elevada». A imagem evoca o episódio das serpentes venenosas, que no deserto atacavam o povo a caminho (cf. Nm 21, 4-9). Os israelitas que tinham sido mordidos pelas serpentes não morriam, mas permaneciam vivos se fitassem a serpente de bronze que Moisés, por ordem de Deus, tinha elevado num poste. Uma serpente salvava das serpentes. A mesma lógica está presente na cruz, à qual Cristo se refere falando com Nicodemos. A sua morte salva-nos da nossa morte.

No deserto as serpentes provocavam uma morte dolorosa, precedida pelo medo e causada por mordidas venenosas. Inclusive aos nossos olhos, a morte parece sempre obscura e angustiante. Do mesmo modo como a experimentavam, ela entrou no mundo por causa da inveja do diabo, recorda-nos a Escritura (cf. Sb 2, 24). No entanto, Jesus não a evitou mas assumiu-a plenamente sobre si mesmo com todas as suas contradições. Agora nós, olhando para Ele, acreditando nele, somos salvos por Ele: «Quem acreditar no Filho terá a vida eterna», repete duas vezes Jesus no breve trecho do Evangelho de hoje (cf. vv. 15.16). 

Este estilo de Deus, que nos salva servindo-nos e aniquilando-se a si próprio, ensina-nos muitas coisas. Nós esperamos uma vitória divina triunfante; Jesus, ao contrário, mostra-nos uma vitória extremamente humilde. Elevado sobre a cruz, permite que o mal e a morte se desencadeiem contra Ele, enquanto continua a amar. Para nós é difícil aceitar esta realidade. É um mistério, mas o segredo deste mistério, desta humildade extraordinária, consiste inteiramente na força do amor. Na Páscoa de Jesus nós vemos a morte e ao mesmo tempo o antídoto contra a morte, e isto é possível graças ao grande amor com que Deus nos amou, graças ao amor humilde que se abaixa, graças ao serviço que sabe assumir a condição do servo. Assim Jesus não só eliminou o mal, mas também o transformou em bem. Ele não mudou a realidade com palavras, mas com gestos; não na aparência, mas na substância; não na superfície, mas pela raiz. E fez da cruz uma ponte para a vida. Também nós podemos vencer com Ele, se escolhermos o amor serviçal e humilde, que permanece vitorioso para toda a eternidade. É um amor que não clama nem se impõe, mas sabe aguardar com confiança e paciência, porque — como no-lo recordou o Livro das Lamentações — é bom «esperar em silêncio o socorro do Senhor» (3, 26).

«Deus amou de tal modo o mundo»... Nós somos levados a amar aquilo de que sentimos a necessidade e que desejamos. Deus, ao contrário, ama o mundo até ao fim, ou seja a nós, tal como somos. Inclusive nesta Eucaristia Ele vem servir-nos, conceder-nos a vida que salva da morte e enche de esperança. Enquanto oferecemos esta Missa pelos nossos amados irmãos Cardeais e Bispos, peçamos para nós aquilo ao que nos exorta o apóstolo Paulo: «Afeiçoai-vos às coisas lá de cima, e não às da terra» (Cl 3, 2); ao amor a Deus e ao próximo, mais do que às nossas necessidades. Não nos preocupemos com aquilo que nos falta aqui na terra, mas com o tesouro lá de cima; não com aquilo que nos serve, mas com o que verdadeiramente serve. Que seja suficiente para a nossa vida a Páscoa do Senhor, para permanecermos livres dos afãs das realidades efémeras, que passam e desaparecem no nada. Que nos baste Ele, em quem se encontra a vida, a salvação, a ressurreição e o júbilo. Então seremos servos segundo o seu Coração: não funcionários que prestam serviço, mas filhos amados que entregam a vida pelo mundo.
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