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terça-feira, 10 de novembro de 2015

Morre em São Luís o Monsenhor Hélio Maranhão


Na noite de ontem (09), faleceu em São Luís, o Monsenhor Hélio Maranhão. Poeta, orador sacro, homem público, versátil, trabalhador, inteligente e corajoso, com inegável e invejável folha de serviços prestados à Igreja, ao Estado do Maranhão e à cultura, o Monsenhor Hélio Maranhão é reconhecido como uma das maiores expressões do Clero maranhense.

"Monsenhor Hélio Maranhão era um apaixonado pelo Evangelho"

Na tarde desta terça-feira (10), as 14h, na igreja Santo Antônio, Centro Histórico, dezenas de amigos e parentes se reuniram para a Santa Missa de corpo presente de Monsenhor Hélio Maranhão presidida pelo arcebispo dom José Belisário, concelebrada pelo bispo auxiliar dom Esmeraldo Barreto, pelo bispo emérito de Viana, dom Xavier Gilles, e pelo bispo de Brejo, dom José Valdeci. Também concelebraram padres capelães, padres diocesanos e diáconos permanentes da Capelania e da Arquidiocese. A santa missa foi marcada por fortes homenagens, entre membros da Academia Maranhense de Letras, Empresariado, amigos e parentes. Entre as homenagens um destaque para a leitura da Carta de dom José Guimarães, Arcebispo da Capelania Militar do Brasil. Dom Xavier Gilles, em sua homilia, fez referencia ao Monsenhor como um servo apaixonado: " Monsenhor Hélio era um apaixonado pelo Evangelho". E proseguiu afirmando que "tudo que ele fazia era por paixão: paixão pelo Evangelho, paixão pela Igreja, paixão pelos pobres, paixão pelo seus". Dom Xavier recuperando o ensinamento evangélico do dia, encerrou dizendo: " que ao fim da nossa vida, possamos tomar o exemplo de Hélio Maranhão e dizer 'sou um servo inútil, não fiz mais que minha obrigação'". Após a comunhão, padre José Raimundo, capelão, fez a encomenda do corpo do Monsenhor que, em seguida, saiu levado pelos padres capelães e, na porta da igreja, entregue nas mãos dos cadetes para o cortejo fúnebre ao Carro de Bombeiros para prosseguir até o cemitério Jardim da Paz. Sob aplausos, foguetes, canções e torques, Monsenhor recebeu as últimas homenagens de pessoas que o queriam tão bem. Como ele dizia: "quando morrer, não quero tristeza, mas alegria, pois eu vou viver no Pai". 


Histórico de Monsenhor Hélio Maranhão

Com um currículo que ostenta sete livros publicados, entre eles, Uma carta de amor, com comentários à Carta Encíclica do Papa Bento XVI sobre o amor de Deus que se revela no amor do homem e da mulher, isto é, no amor dos irmãos e “Maria Mãe de Deus e nossa mãe”, onde ressalta a figura da mulher que não é deusa, mas é a mãe de Deus.

O Monsenhor Hélio Maranhão nasceu no dia 27 de maio de 1930, em Barra do Corda. Aos 13 anos de idade veio para São Luís e entrou para o Seminário Santo Antônio, onde concluiu o curso aos 20 anos de idade. Segundo ele, todas as suas decisões tiveram o apoio da mãe, Perpétua Nava Maranhão, de descendência italiana. “Ela foi incansável no meu acompanhamento. Deu-me força antes, durante e depois que decidi ser seminarista. Devo tudo a ela”, disse.

Monsenhor Hélio Maranhão integrou o quadro de Oficiais Capelães e chefia o Serviço de Assistência Religiosa da Polícia Militar, mas antes de ser capelão militar, foi nomeado capelão pelo Papa Pio VI. Na época do seminário, ele era aluno-destaque. Tanto é que foi escolhido para ser o presidente da Academia Lítero-Musical do Seminário e foi presenteado com um curso de teologia em Roma, onde fez bacharelado em teologia pela Universidade Gregoriana de Roma (maior Centro Universitário Católico do Mundo). Em Roma, foi eleito presidente da Academia Bento Inácio de Azevedo – transformada em Centro de Estudos e Debates Teológicos no Seminário Rio-Brasileiro.

Sua primeira missa foi celebrada em dezembro de 1956, ano em que foi ordenado. De lá pra cá, Hélio Maranhão foi acumulando momentos marcantes. Criou a Comunidade Eclesiástica de Base, em Tutóia, dando início à experiência da participação viva, ativa, livre e consciente do povo nas liturgias da Igreja. O arcebispo da época, Dom Delgado, ficou intrigado quando foi lá e encontrou uma Igreja fervendo.

O Monsenhor iniciou sua carreira de homem de letras em 1968, quando lançou seu primeiro livro, A Missa Participada, com três edições esgotadas. Depois, vieram A Igreja e as Comunidades Eclesiais de Base (1998), Palavras de ontem e de hoje (1999), Podium Immortalitatis (2003), O Brilho das Estrelas (2004), A Semana Santa Ontem e Hoje (2005) e A Cara Nova da Polícia Militar do Maranhão (2007). O escritor observa que o lançamento de seu primeiro livro aconteceu em Codó, cidade onde morava o seu padrinho, Circinato Ribeiro Rego. “Foi ele quem me mandou para o seminário”.

Desde 1976, Hélio Maranhão foi Monsenhor. Aliás, é o único Monsenhor maranhense. Esta é uma distinção concedida pelo Papa, a pedido do bispo, para os sacerdotes que se destacaram de algum modo no serviço da Igreja. Para quem não sabe, ele fundou as Comunidades Eclesiais de Base, nas brancas areias de Tutóia, em 1965, no calor do período que se seguiu ao golpe militar de 64. O Monsenhor costuma dizer que as CEBs nasceram à luz da palavra de Deus, na força da Eucaristia, para mudar as pessoas e transformar o mundo.

Ainda adolescente, Hélio Maranhão dizia para si mesmo que, se não conseguisse ser padre, tentaria a carreira militar. Aos 63 anos, ele assumiu a Capelania Militar da PMMA, nomeado em novembro de 1993, no posto de capitão, pelo então governador Edison Lobão e jurisdicionado capelão militar pelo arcebispo militar do Brasil, D. Geraldo do Espírito Santo Ávila.
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Com informações de Arquidiocese de São Luís e Guesa Errante