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domingo, 1 de novembro de 2015

Dia dos falecidos


Na liturgia católica, o primeiro de novembro é comemorado como “Dia de todos os Santos”. A ideia se volta para as pessoas falecidas, que deixaram marcas no testemunho de vida autêntica, principalmente de humildade e registradas na memória de quem com elas conviveram. Mais do que isto, a santidade deve começar na vida terrena, também antes da morte.

Não sei se se pode falar de morte feliz. Pelo menos olhamos para os falecidos, que praticaram as bem-aventuranças propostas pelo Evangelho, com olhos positivos. Conforme as promessas da Palavra de Deus, o bem praticado na terra será recompensado no céu. Quem faz o caminho de seguimento de Jesus Cristo não ficará desamparado na outra vida.

Falar sobre “Dia de Finados”, ou dos falecidos, significa tocar no sentimento que atinge a todas as pessoas. Não é apenas o sofrimento pela perda de um ente querido, mas também deixa transparecer a realidade de um mistério escondido por traz da vida terrena. O ser humano tem uma dimensão de eternidade, e foi criado para plenificar a identidade do Criador. 

Entre as bem-aventuranças (Mt 5,1-12) aparece, como primeiro destaque, “Felizes os pobres em espírito” (Mt 5,3). É uma pobreza que vai além da condição material. Uma pessoa de espírito pobre significa estar totalmente vazia de Deus, mesmo tendo uma condição econômica confortável. Nisto está seu nível de verdadeira felicidade ou não.

É feliz aquele que é capaz de ver os reflexos de Deus em tudo. Até a morte passa a ter uma dimensão diferente e encarada como caminho de santidade. Sabemos, muito bem, que não é fácil ser puro, ser honesto e santo. São atitudes que dependem de uma vivência radical do Evangelho.

Diante das pessoas estão abertas duas realidades, o agora e o depois, constituindo uma esfera de mistério. Duas situações que estão muito interligadas, sendo a primeira construída e sustentada por uma história de testemunho, de esperança e de solidificação da santidade. A outra é a realização plena da caridade na identidade de Deus, que é amor.


Dom Paulo Mendes Peixoto

Arcebispo de Uberaba (MG)