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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A paz que buscamos!


Este ano de 2015 foi proclamado como o Ano da Paz pela Conferência dos Bispos do Brasil. Creio que a busca da paz nunca deixou de estar presente no coração dos homens e mulheres de boa vontade na história da humanidade, mesmo convivendo com experiências de dor, de violência e de morte no itinerário da vida.

O Papa Francisco tem procurado, no seu ministério de pastor, ajudar os governantes das nações a serem construtores de pontes de diálogo que favoreçam a aproximação dos povos. Porém, diante do flagelo da violência e da guerra que atinge muitas nações, alguns governantes procuram solucionar o problema erguendo cercas e muros, para excluir as vítimas relegando-as à condição de pessoas sem pátria e sem direitos, “indesejadas”.

“É possível percorrer o caminho da paz? Podemos sair desta espiral de dor e de morte?”, nos interroga o Papa Francisco. O cristão, que tem consciência de que, em Cristo, foi agraciado com a paz, deve se tornar um reconciliador, um construtor de paz. “Não haverá paz na terra, enquanto perdurarem as opressões dos povos, as injustiças e os desequilíbrios econômicos que ainda existem. A paz exige quatro condições essenciais: verdade, justiça, amor e liberdade”, dizia o santo Papa João XXIII, retomadas por São João Paulo II.

Às vezes, podemos ser tocados pelo pecado da omissão e da indiferença, não nos envolvendo, achando que a violência só acontece lá longe ou na casa do vizinho, no bairro do lado e por isso não assumimos nenhuma ação que promova a paz e cuide da pessoa, da sua dignidade humana. “O que mais preocupa não é o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”, dizia Martin Luther King, baluarte da não violência. 
Para percorrermos o caminho da paz, não precisamos de grandes manifestos, mas de pequenas ações concretas no dia-a-dia. “A paz começa com um sorriso”, dizia Madre Tereza de Calcutá. Deus nos livre do comodismo e da indiferença, que nos tornam cegos e surdos diante do grito da dor, causada por tantas formas de violência que atingem nossos irmãos e irmãs. 

Não devemos ter medo de sermos ousados em nossas ações pela paz. O Santo Papa João XXIII, que viveu o flagelo da Segunda Grande Guerra e as tensões da guerra fria no seu pontificado, encorajava as pessoas a não desanimarem diante das dificuldades do seu tempo. E na sua sabedoria de homem simples e de pastor que conhecia as angústias do coração das ovelhas, exortava: “Não consulte os seus medos, mas as suas esperanças e os seus sonhos. Pense, não nas suas frustrações, mas nas suas potencialidades ainda não exploradas. Preocupe-se não com o que você tentou e falhou, mas com o que ainda é possível fazer”.


Dom José Gislon
Bispo de Erexim (RS)