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domingo, 25 de outubro de 2015

Por que chamar de amor o que não é amor?


Falar de amor é muito fácil. Todo mundo acha que o conhece, alguns creem que ele é ilusório e muitos julgam dá-lo da maneira mais perfeita. Mas o frequente sofrimento que ele causa na maioria das pessoas deveria levá-las a perguntar-se se o que costumam conceber como "amor" realmente o é.

Quais são as "fontes" nas quais se bebe e se aprende o que significa amar? Em geral, as pessoas se inspiram nas poesia, na música e nos próprios hormônios, que fervem na adolescência e tentam incinerar o corpo com o impulso sexual descontrolado, arrastando a vida em uma perigosa espiral que, quanto mais se quer sair dela, mais ela arrasta ao fundo do abismo do vazio.

Infelizmente, a experiência do amor tem sido conduzida pelos impulsos, deixando de lado sua essência, que é a doação, a oblação. Ao conceber o amor como instinto, muitos deixam que a natureza se encarregue de educá-lo – algo que ela nunca fará e que acabará nos levando de maneira irremediável a viver a vida inteira dependendo da paixão, do sexo, da afetividade, que são apenas faíscas do amor.

E, assim, ao invés de amar, as pessoas vão remendando a vida.

A falsa noção de amor pode custar caro: a superficialidade de um prazer que preenche por instantes, mas que esvazia cada vez mais a alma sedenta. Porque o amor não foi feito para quem quer viver na periferia da pele, para quem nunca quis ir além do seu próprio hedonismo nem para quem se considera como o umbigo do universo. 

O amor é uma experiência para quem quer sair das margens da existência; o amor foi feito para os que sabem ver além do que desejam para si mesmos e sabem o que querem também para os outros.

O amor é uma arte e, como tal, precisa de educação, aprendizagem, paciência, possibilidade de erros e acertos, mas, sobretudo, precisa de um professor. Este professor, claro está, não pode ser qualquer pessoa: precisa ser o inventor do amor, aquele que se define como "o Amor", Deus.

Para amar, é preciso conhecer o amor, e Deus é o Amor. Qualquer coisa que fuja disso correrá sempre o risco de ser unicamente uma caricatura dele e, portanto, só produzirá mais e mais vazio interior.

Tudo aquilo que não é amor, quanto mais se tem, mais vazios deixa. No entanto, quando o amor é vivido em plenitude, ele produz uma extraordinária força, que faz a vida brilhar em uma permanente doação de si mesmos aos outros.

Para amar, só existe uma forma: a forma do Criador. Não existem outras maneiras, nem aquilo que chamamos de "meu jeito" de amar, que não é outra coisa senão um estilo disfarçado de amor ou um pretexto superficial para fazê-lo da forma mais equivocada, sem compromisso de vida.

No amor, não há retratação, não há taxas, não há tamanhos. Não há retratação porque, quando se ama, ama-se para sempre; não há taxas porque o amor não se entrega em cotas ou pedaços, de maneira fragmentada; e não há tamanhos, porque no amor não existe um "muito" nem um "pouco".

O que existe no amor é um aperfeiçoamento, uma qualificação da experiência, que nos permite amadurecer a cada dia e crescer constantemente, até levá-lo a ser um amor capaz de entregar a vida.

É por tudo isso que não acredito no amor daqueles que só sabem enxergar as curvas da sua namorada, dos que exibem a beleza do seu parceiro como um troféu conquistado, daqueles que acreditam que é melhor ser bonito que bondoso, dos que acham que "ter química" é a única coisa que importa.

Não acredito no amor daqueles que se deixam cegar pelo coração sem ouvir a razão, dos que são capazes de pisar nos outros para conseguir o que desejam, daqueles que não se incomodam em destruir um relacionamento para ficar com alguém que preenche sua egoísta felicidade, dos que supõem que o prazer é sinônimo de amor e que, quando a cruz surge no horizonte, fogem dela.


Enfim, não acredito naqueles que acham que qualquer impulso hormonal pode ser chamado de "amor".


Juan Ávila Estrada
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