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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O caso do menino que repartiu a Hóstia consagrada com seu pai divorciado era mentira?


Repercutiu entre os católicos com grande polêmica um relato compartilhado neste sínodo a respeito de um menino que, no dia da sua primeira comunhão, teria partido a hóstia em duas partes e dado uma delas ao seu pai, divorciado e novamente casado. Vários padres sinodais se declararam comovidos com o relato, por evocar o sofrimento vivido pelos católicos nessa situação. Entre eles, o patriarca latino de Jerusalém, dom Fouad Twal: “O gesto nos tocou e nos fez pensar que esse drama afeta todos nós. Não somos indiferentes a estas situações”. O bispo italiano dom Enrico Solmi, de Parma, declarou que o relato “certamente balançou a assembleia. O menino nos mostrou uma vida real”.

No entanto, junto com os muitos protestos acusando o sínodo de “propensão a trair a doutrina da Igreja” e das críticas diante das deficiências na formação catequética do menino, surgiram também questionamentos nas redes sociais sobre a veracidade do relato.

A história do menino que resolveu dividir a comunhão com seu pai divorciado e recasado tinha sido atribuída inicialmente ao pe. Roberto Rosa, pároco em Trieste, na Itália, mas depois foi assumida por dom Alonso Gerardo Garza, da diocese mexicana de Piedras Negras, durante uma entrevista para o canal TV2000.

O fato é que o relato foi mesmo apresentado aos padres sinodais no Vaticano e reacendeu as atenções, dentro e fora do sínodo, sobre as possibilidades pastorais relacionadas com os católicos que se divorciaram e depois se uniram civilmente a novos cônjuges. 

Para o patriarca Twal, este “é um campo muito delicado”, no qual não se deve generalizar. O acompanhamento deve ser feito de forma personalizada. “No meu grupo de trabalho, essa questão nunca foi levantada em termos de quantos são a favor e quantos são contra a comunhão para os divorciados que voltaram a se casar. Nós temos que ver os motivos que levaram a família a esta separação, deliberada ou sofrida, caso por caso”, declarou, observando que este não é o tema central do sínodo: “Além destas situações, o nosso círculo também falou de milhões de outras famílias que têm outros sofrimentos: os refugiados, as vítimas de guerra, as vítimas da violência”.

O arcebispo de Brisbane, na Austrália, dom Mark Benedict Coleridge, concorda: “Nem todos os casos são iguais. Não podemos ter visões ‘maniqueístas’, ou pretas ou brancas, porque a realidade da experiência humana tem muito mais nuances. Dizer que todo segundo casamento é necessariamente um adultério é uma generalização muito grande. Um casamento estável, com filhos, não é a mesma coisa que um casal que se encontra num hotelzinho no fim de semana e esconde esse relacionamento. É vital discernir pastoralmente, avaliar cada caso, não apenas repetir qual é a doutrina da Igreja. Há muitas pessoas em situação irregular, mas cada história é diferente. Eles se sentem deixados de lado pela Igreja e isso os leva a se isolarem”.

Não se espera uma mudança na doutrina católica sobre a indissolubilidade do matrimônio, mas sim o seu reforço mediante uma formação mais profunda na catequese. Quanto à realidade das famílias em segunda união, também se esperam respostas pastorais que, fiéis ao Evangelho de Cristo no tocante à doutrina, também sejam fiéis ao mesmo Evangelho no tocante à misericórdia.
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Aleteia/ Catholicus