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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Bispos alemães estão do lado de Santo Tomás Moro ou Henrique VIII?, questiona Arcebispo


O Arcebispo de Denver (Estados Unidos), Dom Samuel Aquila, criticou a proposta de muitos bispos alemães – entre eles o presidente da Conferência Episcopal Alemã, Cardeal Reinhard Marx –, e recordou o testemunho de fidelidade cristã dos Santos Tomás Moro e João Fisher, assassinados devido a sua oposição ao Rei Henrique VIII da Inglaterra, o qual procurava divorciar-se e ter novas núpcias.

Através de um artigo intitulado “Tomás Moro e João Fisher morreram em vão?”, Dom Samuel Aquila assinalou: “No Sínodo sobre a Família que acontece até o dia 25 de outubro em Roma, alguns dos bispos alemães e seus partidários estão pressionando para que a Igreja permita aos divorciados em nova união receberem a comunhão, enquanto que outros bispos do mundo inteiro insistem em que a Igreja não pode mudar os ensinamentos de Cristo”.

“Isto nos leva a perguntar: os bispos alemães acreditam que os Santos Tomás Moro e João Fisher sacrificaram suas vidas em vão?”, questionou.

O Arcebispo americano recordou que 500 anos antes dos atuais bispos alemães, o episcopado da Inglaterra “foi pioneiro neste experimento em doutrina cristã”.

“O assunto em questão nessa época não era se qualquer católico poderia casar-se novamente, mas se o rei podia, porque sua esposa não lhe deu um filho homem”, assinalou.

O Arcebispo explicou que “da mesma forma que alguns defendem o acesso a comunhão para aqueles que se casaram novamente pelo civil, os bispos ingleses estavam incomodados com a ideia de aceitar o divórcio e o novo casamento abertamente”.

“Em seu lugar, escolheram modificar a lei de acordo com as circunstâncias individuais do caso que enfrentavam, concedendo ao Rei Henrique VIII uma ‘anulação’ — de maneira fraudulenta e sem ser aprovada em Roma”, recordou.

Enquanto a maioria de bispos ingleses, com o Cardeal Thomas Wolsey como líder, apoiaram a tentativa do rei, o qual pretendia desfazer seu primeiro e legítimo matrimônio, o Bispo de Rochester, Dom João Fisher, e o leigo Tomás Moro – chanceler do rei – se opuseram.

“Ambos foram martirizados e posteriormente canonizados”, indicou o Arcebispo de Denver.

Dom Aquila assinalou que os bispos alemães que hoje tentam repetir o “experimento” do episcopado inglês na época de Henrique VIII não procuram outra coisa a não ser uma “‘graça barata’ em vez de uma ‘graça rica’”.

“Jesus nos ensinou através de seu ministério que o sacrifício heroico é necessário para aqueles que desejam segui-lo. Quando lemos o Evangelho com um coração aberto, um coração que não põe o mundo e a história por cima do Evangelho e da Tradição, vemos o preço do discipulado ao qual todo discípulo está chamado”.

O Arcebispo de Denver sublinhou que “seguindo as palavras do próprio Cristo, a Igreja Católica sempre ensinou que divorciar-se e casar-se novamente é simplesmente adultério sob outro nome”.

“E, sabemos que a comunhão está reservada aos católicos em estado de graça. Aqueles que vivem em situação irregular não podem participar desse aspecto da vida da Igreja, embora sejam sempre bem-vindos na paróquia e possam participar das missas”, escreveu.

Na opinião de Dom Aquila, “predizer a que nos levaria tudo isto não é uma questão de conhecer o futuro, mas da simples observação do passado. Somente olhando para a Igreja Anglicana, a qual abriu a porta e logo aprovou a contracepção no século XX e por mais de uma década permitiu o divórcio e casar-se novamente em certos casos”.

Os anglicanos procuraram uma autonomia como a que hoje procuram alguns bispos alemães, assinalou, mas obtiveram como resultado “divisões internas e poucos membros em suas comunidades”.

Em seguida, o Arcebispo de Denver destacou: “É inegável que a Igreja deve chegar aos marginalizados da fé com a misericórdia, mas a misericórdia sempre diz a verdade, nunca consente o pecado, e reconhece que a cruz é o coração do Evangelho”.

“Em relação a casar-se novamente, e muitas outras questões, ninguém poderia dizer que o ensinamento da Igreja de Cristo é fácil. Mas o mesmo Cristo não adoçou os ensinamentos mais importantes para que seus discípulos não se afastassem dele – tanto sobre a Eucaristia, como o matrimônio”, precisou.

Dom Aquila assegurou ainda que, “como discípulos, sempre estamos chamados a escutar a voz de Jesus por cima da voz do mundo, cultura ou história. A voz de Jesus ilumina a escuridão do mundo e as culturas”.

“Oremos para que todos os afetados escutem estas palavras de vida eterna, sem importar o quanto seja difícil!”, concluiu.
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ACI Digital