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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

A inversão de valores e sua conseqüência na vida familiar


Conceituação de Família

Ao abordarmos a problemática da Família, tendo em vista o objetivo de melhor conhecê-la e compreendê-la e ao mesmo tempo considerando a sua importância, seus valores e significados para realidade social contemporânea, faz-se necessário lançar um olhar para o seu percurso histórico destacando o seu processo de desenvolvimento, para a partir daí viabilizarmos alguns conceitos referentes à mesma.

O termo família vem do grego oikoV, que vem designar, casa habitação, pessoas que moram na mesma casa, unidas pelo mesmo sangue.

Este mesmo termo é constituído ou derivado do latim “Famulus”, o que vem significar, “escravo domestico”, este termo foi instituído no contexto da antiguidade romana, tendo como intenção o destaque de um novo grupo social que na época surgia entre as tribos latinas. Esta época era marcada por uma estrutura familiar patriarcal, aonde uma boa parte de pessoas eram influenciada pela autoridade do mesmo chefe.

Na concepção hebraica, o termo Família é “bêt, ab”, o qual vem significar casa do pai, este por sua vez quer designar o caráter patriarcal da Família, no Antigo Testamento a Família era constituída por todos os membros do mesmo sangue, ou que viviam numa habitação comum. Como afirma John L. Mackenzie.
                              
[...] a Família inclui assim o marido e pai, chefe da Família, sua esposa, ou esposas e concubinas, seus filhos, escravos e servos, clientes e os hospedes estrangeiros, filhas viúvas ou repudiadas, os filhos e filhas solteiros (DICIONARIO BIBLICO, 1983, 337).

A concepção de Família para o hebreu era muito ampla, pois o individuo dependia exclusivamente da mesma para o seu sustento e para sua proteção. A vida de cada pessoa estava intimamente ligado a sua Família, uma vez que sem ela as possibilidades de vida eram quase improváveis.

Depois deste breve aceno histórico e etimológico referente à Família nos permitimos conceituá-la das seguintes formas:

Entre uma grande variedade de conceitos atribuídos à Família diz-se que esta é: o pai, a mãe e os filhos, pessoas do mesmo sangue, comunidade formada por um homem e uma mulher, unidos por laço matrimonial, ou pelos filhos nascidos dessa união, (DICIONARIO AURELIO 1998).

Esta é também vista como uma unidade básica da sociedade formada por indivíduos com ancestrais em comum ou ligados por laços afetivos. Esta por sua vez, constitui um grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições.

A Família é unida por múltiplos laços capazes de manter os seus membros moralmente, materialmente e reciprocamente durante uma vida ou durante as gerações.

A Família é conceituada também como um conjunto invisível de exigências funcionais, que por sua vez mantém a organização e interação dos seus membros e considerando-a igualmente como um sistema que opera por meios de padrões transacionais. 

Ao se referir a concepção conceitual da Família Jean Louis Flandrin a trata a parti de dois sentidos, que consiste, no lato e no restrito, partindo daí este diz que a Família é
                                  
Num sentido lato esta é o conjunto de pessoas ligadas entre si pelo casamento ou pela filiação, ou ainda a sucessão de indivíduos que descendem uns dos outros, quer dizer uma linhagem, uma raça, uma dinastia. O restrito designa as pessoas aparentadas que vivem sob o mesmo teto e mais particularmente o pai, a mãe e os filhos (Flandrin 1995. p. 12).

Ao referir-se à relevante postura da Família para a sociedade o papa João Paulo II afirma que esta deve ser conceituada da seguinte forma. “A Família é uma comunidade de pessoas, a mais pequena célula e como tal é uma instituição fundamental para a vida de cada sociedade” (JOÃO PAULO II ).

Por outro lado ninguém possui um conceito absoluto do que de fato é a Família, uma vez que esta é conhecida e compreendida de acordo com a concepção de cada povo,  costumes e culturas.

Diante de tal afirmação, Danta Prado nos apresenta um conceito de Família a partir do sentido popular afirmando que

A Família significa pessoas aparentadas que vivem em geral na mesma casa particularmente o pai, mãe e os filhos. Ou ainda pessoas do mesmo sangue, ascendência, linhagem, estirpe ou admitidos por adoção (PRADO, 1981, P.7).

Por outro lado, Hellpach, constrói o seu conceito de Família a partir do sentido metafórico, afirmando que esta “é um fato natural, uma estrutura espiritual e uma criação da vontade. É também um organismo social, como uma organização social” (HELLPACH apud DORSCH, 2001, p. 381).

Biologicamente, a Família é uma categoria taxonômica, uma ligação temporária ou durante a vida toda de parceiros sexuais a serviço, sobretudo do cuidado com a cria (PETERS apud DORSCH, 2001, p. 381).

Sociologicamente falando, a Família é uma forma de união entre seres humanos que se compõe pelo menos de três membros.

Psicologicamente, a Família tem como instituição social o seu próprio caráter vivencial, na qualidade de campo social. Segundo Thurnwald a Família designa a vida em comum duradoura e com a divisão de trabalho de uma mulher junto com os filhos, sob a proteção e ajuda de um homem (THURNWALD apud DORSCH, 2001, p. 381).

Na concepção de Pichon Rivière, a Família é conceituada como uma “estrutura social básica, que por sua vez vem configurar-se pelo entrejogo de papéis diferenciados, destacando o pai, a mãe e o filho, este entrejogo, constitui o modelo natural de interação em grupo”. Ao ampliar este conceito ele caracteriza a Família como

Um núcleo de pessoas que convivem em determinado lugar, durante um lapso de tempo mais ou menos longo e que se achem unidas, ou não por laços consanguíneos. Este núcleo por seu turno, se acha relacionado com a sociedade, que lhe impõe uma cultura e ideologia particulares, bem como recebe deles influencias especificas (ENRIQUE PICHON RIVIÈRE 1989, PG 22)

Por outro lado, José Bleger diz que a “função institucional da Família      consiste em servir de reservatório, controle e segurança para a satisfação da parte mais imatura, ou primitiva, narcisista da personalidade”.

Pronunciando-se sobre esta temática, o vice presidente da pontifícia academia para a vida Elio Sgreccia diz que,a “Família não pode ser reduzida a relação de afetividade e convivência, segundo Ele para a Igreja a Família é a união estável de amor e vida entre um homem e uma mulher, aberta a procriação e que se assenta sobre um pacto matrimonial”. 

Como acontece o fenômeno da inversão de valores na família contemporânea
                   
A sociedade atual da qual nós fazendo parte, se encontra profundamente marcada por uma concepção pluralista e relativista, por conta disso, os valores fontais que durante muitos séculos nortearam a vida familiar estão vertiginosamente sendo destituído por uma variedade de novos valores que surgem e desaparecem facilmente.

Inserida nesta sociedade, a Família como instituição vem ao longo de muito tempo sofrendo seriamente as consequências causadas por esta realidade social que paulatinamente vai criando seus novos paradigmas axiológicos na Família.

Diante do que a cima foi citado queremos afirmar que a pesar de tudo , a Família não é uma instituição falida e muito menos está passando por um processo de destruição como muitos pseudos-libertadores desejariam, mas está submetendo-se à um grande processo de transformação no que diz respeito à sua estrutura.

Atualmente é possível sem qualquer esforço identificarmos uma grande variedade de modelos familiares, como afirma Rosely Saião
                                         
Hoje os modelos familiares são diversos. O divorcio,o novo papel social da mulher e do homem e a mudança de costumes, permitiram a formação se lares com crianças que são educadas só pela mãe, só pelo pai, pelos dois, pela mãe ou pelo pai em um novo casamento, e mais recentemente crianças que são educadas por pares homossexuais.

Em 1994, as Nações Unidas declararam o ano da Família, a partir daí foi necessário muitas reuniões com o objetivo de discutir o verdadeiro fundamento do núcleo familiar. Nestas reuniões houve pessoas que defenderam uma definição de Família como simples laços afetivos e como convivência.

Tal definição acima citada dava margem para se classificar a Família com qualquer tipo de união incluindo pessoas do mesmo sexo, os relacionamentos entre as pessoas dariam as coordenadas para uma suposta estrutura familiar, sem levar em conta a inclinação natural para a procriação e o pacto matrimonial.

Em uma pesquisa realizada pela Zenit, se percebe que as estruturas familiares e as regras de paternidade estão tendo uma nova redefinição, aqui se suprime a necessidade da criança e se prioriza os interesses dos pais como afirma a autora deste informe Elizabeth Marquardt


O modelo de paternidade de duas pessoas, pai e mãe, indica, está sendo mudado a fim de se adequar aos direitos dos adultos ao invés das necessidades das crianças de conhecer seus pais e serem criados, sempre que possível, por uma mãe e um pai.(MARQUARDT, 2006).

Ainda nesta reportagem foi possível destacar alguns exemplos daquilo que se caracteriza como mudanças legais introduzidas no âmbito familiar sem nenhuma dificuldade e sem levar em conta pelo menos a provocação de um sério debate em torno desta questão, assim sendo, Elizabeth Marquardt vem informar que

No Canadá a lei que permite casamento homossexual também inclui uma clausula que elimina o termo pais naturais da lei federal, trocando por pais legais. Com essa lei, o lugar onde se define quem são os pais de uma criança está precipitadamente substituído da sociedade civil ao estado, com conseqüências ainda desconhecidas, (MARQUARDT, 2006).

Segundo Marquardt, “na Espanha, logo após a legalização do casamento homossexual, o governo mudou o formato da certidão de nascimento de todas as crianças. No futuro se lerá, progenitor A e progenitor B ao invés de mãe e pai”.

Existem na Índia diretrizes voltadas para a tecnologia de reprodução assistida que estabelece total ausência do direito de saber a identidade dos pais genéticos de crianças nascidas de esperma ou óvulos doados.

Nesta mesma direção caminham a Nova Zelândia e a Austrália, que estão propondo permissão para que crianças geradas através do uso de óvulos e espermatozóides doados possam ter legalmente trêpossam ter legalmente trav rma ou ovulos geneticos s pais. Esta proposta, não obtém uma resposta se por ventura estes pais divergissem entre si culminando com uma separação, e se eles resolvessem brigar pela guarda da criança.

Nos Estados Unidos e no Canadá cresce de forma assustadora comissões legais compostas por catedráticos de direito que lutam a todo custo para legalizar os acordos matrimoniais em grupos, entre estes se contempla a poligamia e o poliamor, envolvendo um relacionamento de três ou mais pessoas.

Diante do que vimos anteriormente, se percebe que na lei e na cultura o paradigma natural de pais, ou o modelo pai e mãe, está desmoronando, sendo trocado pela concepção de que toda e qualquer criança fica bem com qualquer, um adulto que possa ser chamado de pai, desde que estes sejam boas pessoas.

No cenário social de hoje se percebe certa rejeição daquilo que denominamos Família nuclear, há quem diga que esta envelheceu, e no contexto social hodierno onde o novo é idolatrado, esta estrutura familiar apesar do seu grande valor está perdendo o seu espaço como enfatiza Márcia Cezimbra
                                                    
A Família com pai, mãe e filhos é coisa do século passado! O século XXI é de famílias chefiadas por mulheres, ou recompostas após o divorcio, com dois pais, duas mães e meios-irmãos, ou ainda de casais gays e lésbicas com filhos adotados e de proveta. A revolução familiar do século XXI levou o antigo modelo patriarcal monogâmico, analisado por Sigmund Freud, à desconstrução. (MARCIA CEZIMBRA, 2003).

O acesso das mulheres no mercado de trabalho contribuiu efetivamente para que a autoridade secular patriarcal fosse se deteriorando em nome das relações familiares bem mais democráticas. Existe uma nítida transformação do papel masculino na Família de hoje, porém a suposta liberdade feminina atual se apresenta com duas faces extremamente distintas como acertadamente diz Elisabeth Roudinesco                             

As mulheres superpoderosas, porém, depararam-se com uma vitória de dois gumes, numa ponta ganharam independência e autonomia na criação dos filhos; na outra tem que suportar a sobrecarga de tarefas muitas vezes impossíveis de serem cumpridas num dia de 24 horas (ROUDINESCO, 2003).

Ao nos referirmos ao contexto sócio-familiar brasileiro, percebemos que o índice de mulheres chefe de família é bem alto e continua crescendo vertiginosamente como destaca A Folha de São Paulo em uma pesquisa realizada pelo IBGE

O crescimento da participação das mulheres como chefes de família já configura uma tendência. De 2002ª 2006, esse percentual cresceu 20,9% e em Agosto de 2006, elas somaram 2,7 milhões de pessoas (FOLHA DE SÃO PAULO, 2006)

Nesta pesquisa destaca-se também a analise feita por Luciene Kozovits, analista do IBGE, ela afirma que um dos principais fatores responsável pelo ingresso da mulher no mercado de trabalho consiste na infecundidade, segundo ela “metade das mulheres chefes de Família moram sozinhas com os filhos. Outras 24,4% são casadas, e 17,5% moram sozinhas.

Existe também em nossa realidade familiar brasileira uma forte inclinação para uma vida solitária, pessoas que fazem questão de abrir mão de um relacionamento a dois para viver sozinho, como afirma a funcionaria publica à folha de São Paulo, Ana Cristina Macedo da Silva

A mulher hoje mudou sua avaliação de prioridade pois,está mais preocupada em ter estabilidade financeira do que em se prender a um relacionamento. Morar sozinha a principio parece estranho, porém depois de um certo tempo a gente acaba se acostumando (FOLHA DE SÃO PAULO, 2006).

Por outro lado, a psicanalista Elisabeth Roudinesco, afirma que “a Família do futuro não será formada apenas por solitários e homossexuais. Mas o modelo homem, mulher e filhos, será ampliado, resistindo bravamente por um modo mais natural de preservar a espécie, mais pratico e mais prazeroso” (2005).

Em contrapartida, há quem projete a Família do futuro como uma relação de pequenos grupos de homens, mulheres, crianças e animais como afirma o promotor de modas Tiago Monteiro

Eu tenho dois amigos com os quais eu gostaria de formar uma família. E penso em adotar uma criança. A Família está mudando muito. Eu conheço gente que constitui uma Família com dois ou três cachorros. O promotor David Brasil quer uma família com um homem, uma criança adotada, uma gata persa e um cachorro sharpei. (MONTEIRO,---).                            

Dessa forma se percebe que a relação harmoniosa entre as pessoas independentemente de sexo, é muito mais importante no processo de estruturação familiar, do que a união matrimonial entre um homem e uma mulher, neste caso a função paternal torna-se relativa no que se refere ao processo de desenvolvimento dos filhos, assim diz a psicóloga Maria Suely Dalsenter da unipsico-Rio:

A Família, seja formada por pais separados ou homossexuais, permanece com a mesma função básica de preservar a integridade física e emocional de seus membros. Assim, a função paterna é importante, mas não precisa ser exercida necessariamente pelo pai:

Há Famílias em que a função paterna é exercida pela mãe, cabendo ao pai a função materna. Se nos casais homossexuais as duas funções estiverem presentes, nada impedirá que a criança se desenvolva normalmente.(DALSENTER,).

Um outro fator que contribui profundamente com o desenvolvimento de novos paradigmas familiar são os avanços científicos na área da medicina. Atualmente a mulher pode recorrer à inseminação artificial e descartar a contribuição direta do homem no seu processo de gestação, algo muito comum entre os casais do mesmo sexo como declara Roudinesco

No momento a maioria das famílias homossexuais é de mulheres. Uma dupla de mulheres pode ter filhos usando a medicina, uma pode fazer inseminação e depois transferir um dos óvulos para o útero de sua companheira.(ROUDINESCO).

A idéia de liberdade extremista que é fomentada a todo o momento e absolvida como valor fundamental regente na sociedade hodierna, tem como principal objetivo o desmoronamento da exclusividade do amor, do vínculo matrimonial e conseqüentemente da fidelidade conjugal. A partir daí surge uma grande abertura à permissividade generalizada, como afirma a psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins:

o modelo de casamento que agente conhece, duas pessoas sob o mesmo teto, regida pela exclusividade e com direito a cobranças tende a diminuir. Claro que sempre vai existir, mas vão predominar relações mais  abertas. Primeiro porque o casamento fechado e, desse jeito que agente conhece, é uma tragédia. O casamento é o lugar onde menos se faz sexo. Não tenho duvida o swing, a troca de casais, tudo isso está se tornado corriqueiro, mas o que desponta como mudança de comportamento forte é o sexo a três (NAVARRO).

O matrimonio é visto atualmente por uma boa parte dos estudiosos modernos de certa forma como uma dimensão que propicia dependência, e ao mesmo tempo cria uma imagem utópica do parceiro ideal. E quando isso é descartado o matrimonio transforma-se em uma profunda frustração para o casal que logo recorre ao divorcio, assim destaca Regina Navarro Lins

[...] o casamento é terreno propicio para a simbiose, a fusão. A idéia de encontrar a alma gemia, alguém que complete, isso faz com que as pessoas busquem e inventem parceiros, idealizem e criem dependência. Mas o principal fator para a perda do desejo sexual é a certeza da exclusividade. Saber que o outro depende de você e não vai fazer nada para não perde-lo faz com que as pessoas não conquistem e não tentem seduzir (NAVARRO).

Diante de todas as afirmações, opiniões e pontos de vistas de muitos profissionais acima citados, não podemos fazer vista grossa perante o grande processo de transição através do qual o cenário familiar contemporâneo está atravessando, atualmente a estruturação familiar se multiplica de forma rápida e com muito facilidade.

Perante esta realidade contemplada por nossa pesquisa foi possível identificarmos cinco tipos de famílias existentes na atualidade que são:

1.    A Familiar nuclear, ou tradicional composta pelo pai, a mãe e os filhos, que em nossos dias está sendo profundamente contestada por aqueles que se consideram liberais.

2.    A Família Monoparental, constituída de um único genitor.

3.    A Família Homoparental formada, por pais do mesmo sexo, que a atualmente esta sendo um grande fenômeno no âmbito familiar, apesar de suas implicações éticas e psicológicas, geralmente constituídas por homossexuais masculino ou feminino.

4.    A Família Recomposta, esta é constituída pelo homem com filhos de um outro casamento, que se casa novamente com a mulher que por sua vez, tem filhos também de outro casamento.

5.    A Família Clonada-Gerada artificialmente, ela é formado por pais do mesmo sexo ou não que recorrem à ciência para aquisição de filhos gerados artificialmente (de proveta, barriga de aluguel).

Fatores que possibilitam os novos cenários axiológicos na Família atual

Meios de comunicação

Em nossos dias, contemplamos a todo o momento e com muita facilidade elementos ou fatores que se constituem determinantes no que diz respeito ao processo de desenvolvimento dos novos valores familiar.

A atual concepção axiológica praticamente não possui mais a mesma conotação e o mesmo sentido que possuía anteriormente, os valores modernos são transitório, o relativismo hoje dita as normas e as regras e a novidade se encarrega de nortear a vida do individuo contemporâneo.

A situação familiar não se distancia tanto desta realidade, pois a todo instante, somos bombardeados por informações que possuem em si a pretensão de impor a todo custo os seus novos e relativos paradigmas familiar.

Diante de tudo o que acima citamos se pode destacar como um dos principais fatores responsáveis pela criação dos novos valores familiar, os próprios meios de comunicação.

Por outro lado, não queremos aqui suprimir os seus méritos, no que diz respeito aos benefícios oferecidos por eles à nossa sociedade como enfatiza muito bem o manual da campanha da fraternidade de 1994

Os programas radiofônicos e televisivos têm aspectos positivos. Quando bem utilizados, estabelecem comunhão entre as pessoas, esclarecem, formam, educam. Muitas vezes a Igreja tem se servido deles para sua missão evangelizadora. São enumeras as emissoras radiofônicas da Igreja que atingem milhões de pessoas com programa de boa qualidade (MANUAL DA CAPANHA DA FRATERNIDADE 1994).

A Igreja como um todo está consciente da grande relevância dos meios de comunicação social, no que se refere ao apoio que estes possibilitam no processo de difusão da mensagem evangélica, assim destaca Joseph Ratzinger

Entre os instrumentos mais eficazes, que atualmente estão disponíveis para a difusão da mensagem do Evangelho, encontram-se certamente os de comunicação social. A igreja não somente reivindica o direito de utiliza-los (cf. cân.747), como também exorta os pastores a valerem-se deles no cumprimento da sua missão (cf. cân. 822,# 1).(RATZINGER).

Por outro lado, não podemos adotar uma postura ingênua diante da influencia perniciosa que pode exercer os meios de comunicação sobre a Família e suas conseqüências imediatas, como a má formação de pessoas, a apologia à violência, como nos informa também o manual da campanha da fraternidade de 1994

No que se refere ao radio, não se pode deixar de dizer que muitos programas se comprazem em veicular, divulgar e difundir a violência. Os chamados programas de plantão policial são propagadores da violência, do crime, do terror. Observa-se que a televisão é uma comunicação sem resposta. A imagem a musica eletrizante e envolvente atinge o profundo das pessoas de uma forma frenética não dando tempo suficiente para a reação consciente. Tais imagens e sons se instalam no inconsciente e formam pessoas com novos valores, na maioria das vezes na linha do hedonismo, sexismo,individualismo e egoísmo( MANUAL DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 1994).

Além da televisão a imprensa é um outro fator muito poderoso que influencia profundamente na estrutura organizacional familiar, dependendo da postura ou interesses defendidos por ela, esta pode influenciar positiva ou negativamente nos valores norteadores da Família, como diz o Manual da Campanha da Fraternidade

É grande a influencia da imprensa, capaz de formar responsavelmente ou manipular com outros interesses  a opinião pública. Quando a imprensa é seria, corajosa, defensora da verdade e dos valores humanos, ajuda muito a família na tarefa de educar seus membros para uma cidadania consciente e de tomar posição diante dos desafios cívicos e éticos do nosso tempo(MANUAL DA CAMPNHA DA FRATERNIDADE 1994).

O poder midiático contemporâneo exerce a função de um dos maiores manipuladores, ou formadores de opiniões no meio social. Consciente de tanta influência, este desenvolve suas ideologias que quase sempre fortalece o individualismo, falsas necessidades e consequentemente a alienação, como afirma o Diretório da pastoral familiar

Juntamente com a televisão, também o computador e outras tecnologias frequentemente fortalecem a prática do individualismo, que abafa o desenvolvimento dos valores essências para a vida em comunidade. Os expectadores estão expostos a maciços fenômenos da manipulação política. A televisão e a informatização da comunicação contribuem também para estimular a difusão e o consumo dos mesmos bens matérias e culturais nos diferentes países, criando condições para uma cultura global de massa sem fronteira, que abafa as culturas locais e regionais (DIRETORIO DA PASTORAL FAMILIAR, 2005).

Liberalismo sexual

A época moderna trouxe ao homem e a mulher uma vasta gama de elementos positivos, entre os quais estão a descoberta da sua unicidade, da sua originalidade, da sua diferença, e a consciência de que este é insubstituível, irrepetível e autônomo.

Este movimento culminou com a descoberta do valor supremo de cada ser humano, com ele surge a afirmação do direito a dignidade de cada pessoa a responsabilidade e a liberdade.

Entre esses valores modernos acima citados um tornou-se imprescindível, no que se refere ao processo estrutural da nova axiologia familiar, estamos falando da liberdade, ou seja, da deturpação deste grande valor que aos poucos foi se tornando libertinagem, e dando origem a individualismo.

Com esta concepção de liberdade surge o liberalismo sexual, que por sua vez se encarrega de constituir uma nova conotação para o sexo, este que antes era visto como dádiva ou dom de Deus acompanhado de um profundo e sério compromisso, hoje é tido como simples satisfação imediata e objeto de consumo, assim destaca A carta pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa

O sexo atualmente configura-se com a cultura do prazer, que orienta para a satisfação imediata e egoísta dos próprios anseios e desejos: ao apresentar o amor e a sexualidade como objeto de consumo imediato e descomprometido, banaliza e empobrece a concepção da dimensão sexual humana e esconde ao homem o horizonte da verdadeira felicidade (CARTA PASTORAL DA CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA).

Por outro lado, sabe-se que a pessoa humana se descobre por si mesmo como ser sexuado, ele tem convicção de que possui uma energia que o leva naturalmente para o encontro do outro, algo que torna possível a personalização e a integração entre as pessoas do ponto de vista tanto afetivo quanto social.

Uma vez que esta concepção a respeito da sexualidade tem o seu autentico significado deturpado, o que acima afirmamos se torna profundamente o inverso, acarretando serias conseqüência como diz a XXXI Assembléia dos Bispos do Brasil

A sexualidade, por ser fundamental à vida humana, quando instrumentalizada ou absolutizado, converte-se em instrumento de alienação e despersonalização. O prazer quando reduzido à genitalidade, pode ser um mecanismo para afastar as pessoas umas das outras. As campanhas abortivas e antinatalistas provêm de uma concepção que considera a fertilidade das famílias pobres como a causa preponderante da problemática social (A XXXI ASSEMBLÉIA DOS BISPOS DO BRASIL, 1993).

Sendo o sexo elemento de pura banalização  e ao mesmo tempo o desejo desenfreado do prazer pelo prazer, desaparece do mesmo, a noção de compromisso, a imagem de sagrado e a visão ética tornando-o objeto  de compra e venda, como destaca o psicanalista francês Charles Melman

O sexo realmente se banalizou. É encarado como uma necessidade, já que caiu por terra o limite que o tornava sagrado. Quando se fala em liberação sexual, não se fala mais no desejo. O homem contemporâneo trata o desejo sexual de certa forma, como simples atividade corporal. A nova economia psíquica faz do sexo uma mercadoria entre outras (MELMAN, 2004).
       
Na medida em que os limites que norteavam a vida sexual, foram  perdendo espaço na dimensão social contemporânea, novas ideologias se formaram em torno do mesmo, na perspectiva de cada vez mais descaracteriza-lo.

A tendência moderna busca destacar o sexo na pratica da vida cotidianamente o importante é que se aproveite a vida, se os órgãos sexuais estiverem desenvolvidos, não há nada que possa impedir a sua prática das mais diversas formas possíveis como afirma Regina Navarro Lins
                                    
Acho que na medida em que há um afrouxamento dos limites, da censura, as pessoas começam a ficar mais livres. Querem experimentar novas sensações. Ménage  atróis é uma pratica antiga. Passará ser natural: sexo a três, swing, sexo grupal, parceiros múltiplos. Tudo isso porque há um outro fenômeno importante em marcha: não tenho duvida de que caminhamos para a androgenia (REGINA, --).

A Escritura nos diz que Deus criou o ser humano homem e mulher, depois viu que a sua obra era muito boa (Gn 1,26-31). A Igreja de fato reconhece essa bondade intrínseca da sexualidade, como uma criatura de Deus. Porém diante da realidade, atual na qual ver claramente o descaso e descompromisso com a vida se percebe que a cada dia a humanidade se distancia do projeto inicial de Deus. Como enfatiza D. Demetrio Valentini.

A sexualidade fica desvinculada de compromisso serio de pessoa a pessoa. A possibilidade da chegada de um filho é eliminada com os contraceptivos, e chega-se mesmo a lançar mão do aborto como expediente para “resolver situações incomodas”. Sexo também está desvinculado da procriação. Há mesmo casais que excluem a chegada dos filhos e desejam viver como “amantes” toda a vida.

Ainda nesta mesma linha de pensamento monsenhor Elio Sgreccia menciona que “No amor humano procura-se hoje destruir a ponte que liga união afetiva e procriação. Há uma caminhada no sentido de desvincular o amor que liga um homem e uma mulher daquele que dar a luz uma nova vida, afim de que o casal possa usufruir a sexualidade sem o risco de uma gravidez. Isto criou uma mentalidade hedonista em torno do sexo e fez com que o filho fosse visto como uma ameaça à felicidade do casal”.

Aborto

Entre outros fatores tidos como determinantes no que diz respeito aos novos valores familiar atual se encontra uma pratica muito antiga que em nossos dias tem aumentado assustadoramente vitimando milhões de inocentes indefesos, estamos nos referindo ao aborto.

Na perspectiva de entendermos melhor a difícil e complexa situação do aborto utilizaremos a concepção conceitual de Marciano Vidal, pois segundo ele o aborto é

A expulsão do feto do útero materno antes de ter chegado o tempo de ser viável; quer dizer: quando não pode subsistir fora do útero materno, ou um instrumento que tem como fim último a eliminação de uma fecundidade indesejada. (VIDAL).

Em nome do controle de natalidade que visa o bem-estar social, a sociedade atual ao invés de viabilizar uma política que venha favorecer as família mais carentes, no sentido de preservarem a vida como um valor absoluto, fomentam campanhas autorizando o uso de contraceptivos e muitas vezes até o aborto, como destaca Práxis Cristã

As vezes o crescimento demográfico é considerado de tal gravidade que se considera licito qualquer método para detê-lo, inclusive as técnicas anticoncepcionais mais radicais e o aborto. Em todo caso a legitima preocupação com o problema da população pode sutilmente levar a considerar o aborto como uma “terapia” lícita.

Segundo Frei Raul de Lima Sertã, gravados nos anais da historia existiu dois massacres contra inocentes que mais chocou a humanidade dos nossos antepassados, ele se refere ao episodio do rei do Egito contra as crianças hebraicas e ao rei Herodes na tentativa de assassinar o menino Jesus.

Porém o que se ver hoje são crimes ainda muito mais cruéis contra estas crianças indefesas, pois atualmente, depois da legalidade do aborto  além deste ser um atentado direto contra a vida, se tornou grande fonte de lucro e negocio, como afirma o próprio Frei Raul de Lima

Milhares de criancinhas indefesas são arrancadas do sei materno e vendidas a fabricas de sabonetes, lemos em “bebês para queimar” a confissão de um medico culpado desse crime nefando: “As pessoas que moram nas vizinhanças da minha clínica tem-se queichado do cheiro de carne humana queimada, portanto estou sempre procurando maneira de me livrar dos fetos, sem precisar queima-los. Veja: encaminha-los para a pesquisa cientifica não é rendoso...”(FREI RAUL DE LIMA SERTÃ, 1978).

Ao referirem-se à problemática do aborto os bispos de Canadá condenaram-no com muita ênfase, tendo em vista a desordem e o mal moral que este acarreta à humanidade. Partindo deste principio o episcopado canadense afirmou que apesar do aborto ser legalmente aceitável do ponto de vista do direito civil no Canadá, os católicos e muitos outros cristãos não católicos manifestam frequentemente seu profundo repudio a ele e a esta decisão jurídica, assim destaca o episcopado canadense.

O respeito a vida humana é principio moral básico. O aborto direto é um mal moral muito grave, porque  significa o fim de uma vida humana em gestação. É por isso que em nosso país, muitos e não apenas os católicos, se opõem com firmeza ao aborto. Queremos-lhes assegurar o nosso total apoio em seus esforços para salvaguardar a vida. Julgamos ser este o verdadeiro modo de garantir a dignidade do homem e de promover a ordem social (DECLARAÇÃO DOS BISPOS DE CANADÁ, 1970).

Do ponto de vista bíblico, frei Raul de Lima destaca como ponto de reflexão para esta temática usando (Gn 4,8,10), segundo ele,  assim como o sangue de Abel clamava a Deus o sangue dos inocentes vitimas do aborto clamam também a Deus freqüentemente, diz o Frei Raul.

A mesma coisa pergunta Nosso Senhor à mãe que abortou: que fizeste?... a voz do sangue de teu filho está clamando para mim e contra ti. Igualmente o médico criminoso e ganancioso, é interpelado por Deus: que fizeste?... Onde estão os bebês que arrancastes do seio de suas mães. (FREI RAUL DE LIMA SERTÃ, 1978).

No que se refere ao ponto de vista moral do aborto, este é feita pelo Magistério da igreja e apoiado pela reflexão teológica. A doutrina oficial da igreja católica atual sobre a moralidade do aborto é bem clara e taxativa, esta se fundamenta na doutrina bíblica, na tradição cristã e na própria razão como diz Marciano Vidal

Todo ser humano inclusive o bebê no seio  materno­­­­, tem o direito a vida que lhe vem imediatamente  de Deus, não  dos pais ou de qualquer outra autoridade humana. Não existe pessoa nem autoridade humana com o titulo valido ou uma indicação suficiente, medica, eugenésica, social, moral para uma  disposição deliberada sobre uma vida inocente (VIDAL).

Também do ponto de vista canônico, o aborto foi sempre caracterizado como uma grande desordem vital, por isso tanto no código de direito canônico de 1917, quanto à legislação canônica atual confirmam que procurar o aborto incorre em excomunhão latae sententiae, por isso o Papa João Paulo II assegura na encíclica Evangelium Vitae que

A excomunhão recai sobre todos aqueles que cometem este crime com conhecimento da pena, incluindo também cúmplices sem cujo contributo o aborto não se teria realizado: com uma sansão assim reiterada, a igreja aponta este crime como um dos mais graves e perigosos, incitando, deste modo, quem o comete a ingressar diligentemente pelo caminho  da conversão ( EVANGELIUM VITAE, 1995, p. 62).

Ainda ao se referir ao aborto João Paulo II se reporta à tradição  doutrinal e disciplinar da Igreja, à Paulo VI que por sua vez reafirmou a radicalidade do ensinamento eclesiástico sobre este grande mal, partindo desses pressupostos o Santo Padre afirmar na Evangelium Vitae que este é

Declaro que o aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a palavra de Deus escrita, é transmitida pela tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal. (EVANGELIUM VITAE, 62).

Segundo a revista cristã os programas de esterilização e o aborto se alastram constantemente em nossa sociedade atual. A estimativa de casos de aborto legalizado anualmente no mundo chega a 50 milhões, o mesmo numero de morte provocada pela Segunda Guerra Mundial que durou cinco anos.

A Família na concepção da Igreja Católica

A Família foi è e sempre será segundo a Igreja Católica uma comunidade de vida e de amor conjugal. Partindo desse principio, podemos afirmar que esta tem como principal missão gerar, defender e proteger a vida, vida esta que só será possível se tiver como fundamento o amor que proporciona a doação sem reserva de um homem e uma mulher, na perspectiva de uma abertura sem limites ao projeto vital do Deus criador.

Ao criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, o próprio Deus leva ao máximo grau de perfeição sua criatura predileta, é este mesmo Deus que insere o homem e a mulher em seu plano criador de vida e de amor como responsáveis pela transmissão do dom da vida humana, como afirma o santo padre João Paulo II.

Assim a tarefa fundamental da Família é o serviço à vida. É realizar, através da história a benção originária do Criador, transmitindo a imagem divina pela geração do homem ao homem. A fecundidade é o fruto e o sinal do amor conjugal, o testemunho vivo da plena doação recíproca dos esposos. (FAMILIARIS CONSORTIO, 1981, p 49).

Sendo comunidade de vida e de amor, a Família se sente responsável e se descobre no plano de Deus, como portadora da missão para difundir o amor vivificante que dá sentido à humanidade, ou seja, à grande família comum, presente neste mundo desorientado, que exalta a divisão, o ódio e a destruição, Assim enfatiza João Paulo II

A essência e os deveres da família são em última analise definidos pelo amor. Por isso é confiada a Família a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, que tem como reflexo o amor de Deus pela humanidade e do amor de Cristo pela Igreja sua esposa (FAMILIARIS CONSORTIO, 1981, 31).

O Deus criador se manifestou constantemente em todo o percurso da história constituído entre Ele e seu povo como o Deus da aliança. Sendo ele o único esposo e o seu povo a única e predileta esposa que muitas vezes lhe foi infiel, porém este continuou na sua plena fidelidade provando que o seu amor à família humana é eterno. (Os 2,4-22), como enfatiza João Paulo II

Assim, o esposo é próprio Deus que se fez homem. Na Antiga aliança, Javé apresenta-se como o Esposo de Israel, povo eleito: um Esposo terno e exigente, ciumento e fiel. Todas as traições e idolatrias de Israel, descritas dramática e sugestivamente pelos profetas, não consegue apagar o amor com que Deus Esposo ama até o fim. (CARTAS ÀS FAMILIAS, 1994, P.89).

A família sendo este ambiente onde se cultiva o amor, a comunhão, a unidade, a vida e a doação total, leva-nos a configurá-la com a imagem do Deus Trindade. Segundo o CELAM a Família é considerada trindade humana, pai, filho e mãe, destaca ainda que esta foi criada desde de o inicio como uma espécie de sacramento natural do Deus-Família. Baseado nesta afirmação D. Rafael G. González afirma que

È do amor familiar que derivam-se virtudes que devem brilhar na vida dos casais: uma vida aberta a vida, a fidelidade, ao respeito mutuo e ao serviço. O dom de si, a comunicação e a participação nos diversos relacionamentos do amor conjugal, paternal e filial, fazem da Família uma verdadeira imagem da Santíssima Trindade, (REVISTA REB, 2000, P, 349).

Referindo-se à relação entre Deus e a Família João Paulo II estabelece um paralelo entre aquilo que Deus faz e o que o homem pode realizar, “Deus-fiel é modelo para a fidelidade da Família humana; a Família, na medida em que se mantém fiel, é um sinal concreto que nos lembra o quanto o amor de Deus é eterno”.

A Família enquanto arquétipo da Trindade manifesta em cada homem e em cada mulher a originalidade da imagem impressa por Deus na humanidade, esta mesma Família é colaboradora de Deus na criação e é chamada a viver o amor e a comunhão como diz o Diretório da Pastoral Familiar

A imagem de Deus impressa no ser humano é a imagem de Deus-Trndade, que é essencialmente comunhão. Comunhão de amor, da qual o ser humano é chamado a participar. O amor é, portanto, a fundamental vocação do ser humano. A unidade da Trindade é unidade de comunhão. Homem e mulher são chamados a viver essa unidade numa comunhão de amor, por meio do dom sincero de si mesmos. (DIRETORIO DA PASTORAL FAMILIAR, 2004, P, 36).

A Família também é considerada como suporte ou garantia para o bem-estar social, pois para desenvolver num país uma economia sólida é necessário capital humano, o que denomina-se de filhos gerados dentro de uma família estável, como diz o economista Gari Becker, ganhador do Premio Nobel de Economia, em 1992
               
Uma sociedade na qual nascem poucos filhos, como acontece em muitos paises da Europa, ou em que os núcleos familiares se dissolvem facilmente entra em crise. Isso acarreta um peso social e econômico insuportável. A sociedade através da política publica especifica deve dar condições para que a família se desenvolva harmoniosamente e esta, por sua vez, precisa ser suporte a um desenvolvimento socioeconômico estável. (REVISTA FAMILIA CRISTÃ, 2004, P. 47).

Diante do que acima foi afirmado diz acertadamente a Familiaris Consortio, que a família é a célula fundamental da sociedade, pois é através dela que é conferido as virtudes e valores que formam os cidadãos do amanhã, é por ela que é exercido o papel de portadora de  princípios fundamentais de uma nação, o que a faz patrimônio comum da humanidade, e fundamental contributo à sociedade, como diz a Familiaris Consortio

Família tornou-se a Célula primeira e vital da sociedade. Ela possui vínculos vitais e orgânicos com a sociedade, porque constitui o seu fundamento e alimento continuo mediante o dever de serviço à vida: pois é da Família que sai os cidadãos e na Família encontram a primeira escola daquelas virtudes sociais, que são a alma da vida e do desenvolvimento da mesma sociedade. (FAMILIARIS CONSORTIO, 1981, P. 75).

A Família entre outras particularidades assume também a sua incumbência de anunciar o Evangelho da vida, no cotidiano na luta por educar os filhos, na busca pela solidariedade entre os membros, no constante ensinamento de valores cristãos e sobretudo, na luta por assumir com responsabilidade e intensidade a vocação a qual lhe foi conferida pelo Deus da vida. Como destaca mo santo padre João Paulo II

A Família cumpre a sua missão de anunciar o Evangelho da vida principalmente através da educação dos filhos. Pela palavra e pelo relacionamento mútuo e nas opções cotidianas, os pais iniciam os filhos  na liberdade autentica, que se realiza no dom sincero de si e cultivam neles o respeito do outro, o sentido da justiça, o acolhimento cordial, o diálogo, o serviço generoso, a solidariedade e os demais valores que ajudam a viver a existência como um dom.(EVANGELIUM VITAE, 1995, P. 184).

Diante de todas as afirmações que fizemos da Família segundo a concepção da Igreja Católica, nos permitimos finalizar este capitulo com as apalavras de João Paulo II que tanto manifestou um carinho e um amor profundo pela Família.

Segundo o Santo padre, “a Família celebra o Evangelho da vida com a oração diária, individual e familiar: nela agradece e louva o Senhor pelo dom da vida e invoca luz e força para enfrentar os momentos de dificuldades e sofrimento sem nunca perder a esperança. Mas a celebração que dar significado a qualquer outra forma de oração e de culto é a que se exprime na existência cotidiana da família, quando esta é uma existência feita de amor e doação”.

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BRANDES, Orlando D. A Arte de Evangelizar a Cidade.