Adsense Teste

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Homilética: 22º Domingo Comum - Ano B: "Em que consiste a verdadeira religião?"


Síntese da mensagem: A nossa religião não está feita de exterioridades, como acreditavam fariseus os quais Cristo trata com tanta dureza no evangelho, até o ponto de querer agradar a Deus e ganhar a salvação. Essas “coisas” num princípio foram enfeites da religião, logo adversários da religião e finalmente suplantaram a religião.

Textos: Dt 4, 1-2, 6-8; Tg 1, 17-18. 21-27; Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, a verdadeira religião não é de lábios para fora. “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Isa 29,13). Substituímos muitas vezes a verdadeira religião com ritos, costumes, piedades, tradições. Ouvir missa, batizar a criatura, fazer a primeira comunhão, casar-se na igreja, ajoelhar-se no confessionário, enterrar um morto cristãmente, peregrinações e procissões, etc. Religião não é só isso. Essas são coisas da religião, mas não a religião. Prova disso é que nem sempre existiram essas “coisas”, mas sempre existiu a religião. Outras vezes foram outros costumes, ritos, tradições... mas a religião foi a mesma. Cristo não está desprezando as normas de vida dos judeus: Ele disse que não tinha vindo para abolir a lei, mas dar cumprimento e levá-la à perfeição. Jesus interiorizou essa lei, para nos conformarmos com a aparência exterior. Jesus condena o legalismo formalista, sem alma, sem sensibilidade, sem caridade, que escraviza mais do que liberta. 

Em segundo lugar, a verdadeira religião é a fé em Jesus vivo, morto, ressuscitado, glorificado, Filho de Deus. Fe é a atitude transcendental do coração do homem, para quem Jesus é tudo, como a sua escala de valores e de princípios, as suas esperanças eternas, os seus destinos... A atitude transcendental é a obediência a Deus, o seguimento dos ditames da consciência reta e o serviço desinteressado aos homens. A fé, pois, é a atitude transcendental do coração como estilo de vida: sem essa fé não existe nem missa nem sacramentos nem teologia nem moral... que valham, mas com essa fé em Deus missa e sacramento e piedades... fazem a religião florida e formosa. Ou seja, pessoas que creem, mais que praticantes é o que Deus quer. E se são praticantes, é porque dão vida à prática e espírito à letra, que de por si só mataria. Isto é, que à missa, aos sacramentos e às piedades colocam alma, espírito, coração e vida ou aqui nem homem nem religião nem nada.   

Finalmente, vamos concretizar tudo isto. Por exemplo, algumas primeiras comunhões são agora suntuosas como um casamento, e isso é um escândalo econômico, social e religioso. Essa é a verdadeira religião? Alguns casamentos são agora um rito tão secularizado como uma festa social e isso é uma degradação, a humilhação e o desprestigio do sacramento. Religião verdadeira? E assim as confissões mecânicas, as comunhões mercantis: “vou oferecer esta comunhão para conseguir esta ou aquela graça para...”. O que dizer então de procissões ou peregrinações que parecem mais uma feira onde se vende de tudo, sendo um gesto exterior de algo profundo do coração? Religião verdadeira? Agora entendemos porque Jesus foi tão duro com estes fariseus ritualistas que cifravam a religião em práticas exteriores e não na fé em Deus. Por isso Jesus, entre o homem e o sábado, ficava com o homem, para quem ai está o sábado; não ao contrário. Por isso, Jesus deu uma mão ao homem religioso e sentou a mão no homem ritualista (cf. Mc 2,27). No ano, no mês e no dia, em que Jesus disse-evangelho de hoje- que as coisas externas não fazem mal o homem, mas as internas oriundas do coração são que o tornam bom, mau, regular, santo, etc..., nesse momento Jesus pronunciou “uma das maiores frases em toda a história das religiões” (Montefiore). Frase que se dirige ao coração do homem- no sentido bíblico da expressão-, isto é, à inteligência, à vontade e ao sentimento do homem... Essa é a verdadeira religião, que Jesus, o Filho de Deus, veio para nos ensinar.

Para refletir: Sou homem religioso ou somente ritualista? Ritualista ou espiritualista? Crente ou só cumpridor? Vivo nessa atitude transcendental, em obediência a Deus, no seguimento da consciência reta e no serviço desinteressado aos homens? Fujamos do farisaísmo e do ritualismo sem fé e sem alma (evangelho), para ser gratos a Deus (salmo). Foram os “praticantes” os que levaram Cristo à cruz e o crucificaram. Onde estava a fé desses “piedosos praticantes”?

Para rezar: Fazei-me entender que me conheceis inteiramente, pois sois o meu Criador, e sabes de todas as minhas coisas. E sois Vós, Senhor, quem me transformais, quem instruis, quem me modelais, quem me perfeccionais, quem fazeis de mim o vosso filho, quem me ama e quem me salva. Finalmente, Senhor, fazei-me cair confiado e esperançado nas vossas mãos e, como uma criança nos braços do seu pai, eu durma no vosso colo.



Pe. Antonio Rivero, L.C., 
Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de São Paulo (Brasil)

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org
____________________________

ZENIT