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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Homilética: 20º Domingo Comum - Ano B: "A Eucaristia é banquete celestial onde Cristo nos une a Ele na comunhão".


Síntese da mensagem: Vimos nos domingos passados algumas dimensões da Eucaristia: e Eucaristia como sacrifício, como presença real de Cristo e como penhor de imortalidade. Hoje a liturgia nos propõe outra dimensão: a Eucaristia como banquete e que nos une a Cristo na comunhão (1 leitura e evangelho). E os termos que São João emprega e repete são de um realismo que não cabe dúvida alguma: não é qualquer comida, mas comida celestial. Para esta comida são convidados todos sem exceção, como diz São Francisco de Sales: “os perfeitos para não decair; os imperfeitos, para aspirar à perfeição; os fortes para não enfraquecerem; os fracos para se robustecerem; os doentes para se curarem; os sãos para não se enfermarem” (Introdução à vida devota, II, 21). Logicamente com as devidas disposições.

Textos: Pro 9, 1-6; Ef 5, 15-20; Jo 6, 51-58

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, valorizemos este aspecto da Eucaristia como banquete que nos une a Cristo. Banquete sagrada da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor. Mediante a comunhão, Cristo entra em comum união íntima conosco. Faz-nos participes da sua vida divina. Somos contemporâneos da Última Ceia. Conserva, aumenta e renova a vida de graça recebida no batismo. Separa-nos do pecado. Apaga os pecados veniais. Preserva-nos dos pecados futuros. E nos dá o penhor da glória futura, como já vimos. A aspiração à comunhão com Deus está presentes em todas as religiões. A partir dai os sacrifícios e comidas sagradas nas que se considera que Deus compartilha algo com o homem. Esses sacrifícios do Antigo Testamento preparam já esse desejo do homem de entrar em comunhão com Deus. Foi Cristo quem encheu esse desejo do homem. Com a sua Encarnação, Cristo compartilhou a nossa natureza humana para fazer-nos partícipes da sua natureza divina. Foi na Eucaristia onde Deus concretizou y fez realidade este desejo do homem. De uma maneira plástica São João Crisóstomo diz: “Temos que beber o cálice como se puséssemos os lábios no lado aberto de Cristo”.       

Em segundo lugar, que efeitos produz, pois, esta comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo em nós? Efeito cristológico: incorpora-nos a Cristo, aumentando a graça e concedendo-nos o perdão dos pecados veniais. Efeito eclesiológico: une-nos à Igreja, corpo místico de Cristo, pois a Eucaristia simboliza a unidade da Igreja; mais ainda, constrói e edifica a Igreja como nos diz Santo Agostinho e nos recordou São João Paulo II na sua encíclica sobre a Eucaristia. Efeito escatológico: a Eucaristia é o banquete do Reino, inaugurado por Cristo e que se consumará de forma definitiva no céu. A Eucaristia é figura do banquete celestial. A Eucaristia antecipa o gozo do banquete futuro. A comunhão é o germe e o remédio de imortalidade, como nos disse Santo Inácio de Antioquia.    

Finalmente, agora bem, para entrar neste banquete se necessitam umas condições. Primeiro, fé, pois a Eucaristia é um mistério de fé. Vemos, saboreamos e tocamos pão; mas já não é pão, senão o Corpo Sacratíssimo de Cristo e o Sangue bendito de Cristo. “Não te perguntes se isto é verdade, mas acolhe melhor com fé as palavras do Senhor, porque Ele, que é a Verdade, não mente” (Santo Tomás de Aquino, Summa Theologiae III, 75, 1). Segundo, humildade, para reconhecermo-nos famintos e necessitados desse Pão de vida eterna. Quem estiver farto e cheio dos manjares terremos, dificilmente terá fome deste manjar celestial. Terceiro, com a alma limpa de pecado grave. A alma em graça é o traje de festa que pedia Jesus (cf. Mt 22,11). São João Crisóstomo diz: “Se te aproximares bem purificado, recebes grande beneficio; se te aproximares manchado de culpa, fazes-te merecedor da pena e do castigo eterno. Porque com as tuas culpas o crucificas de novo” (Homilia evangelho de São João 45). Junto a estas disposições interiores estão as disposições externas: jejum, isto é, não comer nada uma hora antes de comungar; o modo digno de vestir e as posturas respeitosas. O cura de Ars dizia: “Devemos nos apresentar com vestidos decentes: não pretendendo ser trajes nem enfeites ricos, mas não devem ser descuidados e gastados... tendes que vir bem penteados, com o rosto e as mãos limpas” (Sermão sobre a comunhão).

Para refletir: Aproximo-me à santa missa e à santa comunhão com a alma em graça? Tenho fome de Cristo Eucaristia ou posso passar meses e meses sem comungar? No caso de que eu não possa comungar sacramentalmente, já aprendi a fazer uma comunhão espiritual?

Para rezar: Obrigado, Senhor, porque na Última Ceia partistes o vosso pão e vinho em infinitos pedaços, para saciar a nossa fome e a nossa sede... Obrigado, Senhor, porque no pão e no vinho nos entregais a vossa vida e nos encheis da vossa presença. Obrigado, Senhor, porque nos amastes até o final, até o extremo que se pode amar: morrer por outro, dar a vida por outro. Obrigado, Senhor, porque quisestes celebrar a vossa entrega, ao redor de uma mesa com os vossos amigos, para que eles fossem uma comunidade de amor. Obrigado, Senhor, porque na Eucaristia nos fazeis UM convosco, na medida em que estamos dispostos a entregar a nossa... Obrigado, Senhor, porque todo o dia pode ser uma preparação para celebrar e compartilhar a Eucaristia... Obrigado, Senhor, porque todos os dias eu posso voltar a começar..., e continuar o meu caminho de fraternidade com os meus irmãos, e o meu caminho de transformação em Vós. 


Pe. Antonio Rivero, L.C.,
Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de São Paulo (Brasil)
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