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terça-feira, 28 de julho de 2015

Homilética: 18º Domingo Comum - Ano B: Do pão material é preciso passar ao pão espiritual.


Síntese da mensagem: O ser humano não é só corpo. Também tem alma, e afeto e sentimentos e espírito. Querer saciar o corpo é viver só num nível biológico e como os pagãos (2 leitura). Querer alimentar só a alma é coisa de anjos. Atender corpo e alma é humano e divino ao mesmo tempo.

Textos: Ex 16, 2-4.12-15; Ef 4, 17.20-24; Jo 6, 24-35

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, o maná do deserto (1 leitura), que Moisés conseguiu para o seu povo durante o deserto, é uma prefiguração do Pão celestial que Cristo nos dará na Eucaristia. Moisés quis que o seu povo superasse o cansaço, o desanimo e a rebelião. O maná do Antigo Testamento não dava a vida; todos os que dele se alimentavam, cedo ou tarde sucumbiam. O Pão verdadeiro que é Cristo, ao contrário, dá a vida que não morre, pois o homem também tem outras fomes profundas: fome de amor, de felicidade, de verdade, de segurança, de sentido da vida. O pão corporal era o pão de morte, porque só se ordenava a restaurar as forças, sem evitar com isso a morte ulterior. O Pão espiritual, pelo contrario, vivifica, porque destrói a morte. Por isso, Cristo é o Pão verdadeiro, do qual o maná era somente a figura. E Deus se preocupa de dar o seu “pão” aos cansados. E esse Pão é o seu Filho em dois pratos gratuitos em cada missa: o pão da Palavra e o pão da Eucaristia. É um grande pesar que alguns fiquem felizes com a “panela de carne” do Egito. A coisa má não é ter fome, mas não ter fome das coisas que valem a pena, não saber que nos faz falta o autêntico pão. A coisa má e ficar satisfeito com a “panela de carne” que oferece o mundo, com valores que não são últimos.    

Em segundo lugar, todos sabemos como é o processo do pão. Grão que se enterra na terra e passa o seu inverno. Depois floresce em espiga. A espiga é cortada e levada ao molinho e se tritura. Assim também aconteceu com Cristo que é o Pão vivo, feito Palavra e Eucaristia. Também Ele se enterrou durante 30 anos em Nazaré. Brotou a espiga da sua maturidade. E antes de se fazer comível e digerível como alimento de imortalidade, passou pela Paixão, onde se deixou triturar pelos golpes, pelas chicotadas, pelo ódio, pela lança, para fazer-se Pão da nossa Eucaristia. Como o trigo, Cristo deve ser moído antes de se tornar Pão de vida eterna. A Igreja chama isto a Eucaristia como sacrifício. É verdade que Cristo já ofereceu o sacrifício na cruz uma vez por todas naquela primeira Sexta-feira Santa. A Eucaristia prolonga este aspecto sacrificial: é o sacrifício de Cristo, renovado, perpetuado, atualizado sobre os nossos altares. Ao celebrar esse sacrifício na missa fazemos memória da sua morte, dessa morte que foi uma e não muitas. A Eucaristia é, pois, o sacramento do sacrifício da Cruz, onde nos dá a comer o Pão que é a sua Palavra e o seu Corpo.      

Finalmente, assim como o pão material nos faz crescer no corpo, assim também o Pão da Eucaristia, que é Cristo mesmo, faz-nos crescer em virtudes. Crescemos para cima, para uma visão sobrenatural, superando a visão rasteira e humana. Crescemos para os lados, estendendo as nossas mãos para ajudar os demais, superando o nosso egoísmo e o nosso fechamento. Crescemos para dentro, para poder ter em nós os mesmo afetos e sentimentos de Cristo Jesus. Não somos nós que assimilamos Cristo, mas é Cristo quem nos assimila, dir-nos-á Santo Agostinho. E nos faz crescer, até alcançar a sua estatura, como diz São Paulo na carta aos Efésios. Não só nos faz crescer, mas que também nos une ao seu próprio sacrifício. Na Eucaristia nós também comemos e participamos da sua paixão, morte, ressurreição e ascensão. O seu sacrifício passa também pelas nossas mãos e pela nossa vida; completando em nós “o que falta à Paixão de Cristo”.   

Para refletir: Desejo esse Pão que é Cristo, ou me conformo com outros pães que o mundo me oferece? Contento-me com assistir passivamente a missa ou também me imolo interiormente com Cristo para a vida do mundo? Sou pão terno que me ofereço aos meus irmãos mediante a entrega generosa, a disponibilidade sem medida, a escuta atenta? O que procuro em Deus: só as soluções a problemas materiais e humanos? Ou também busco soluções para os meus problemas espirituais?  

Para rezar: Dai-me sempre deste Pão de vida eterna, Senhor. Que eu não pense mais nas cebolas do Egito sedutor.


Pe. Antonio Rivero, L.C.,

Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de São Paulo (Brasil). Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org
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